ALBA é notificada sobre prisão do deputado Binho Galinha; Justiça mantém prisão preventiva
- Da Redação

- 6 de out.
- 2 min de leitura

A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) foi oficialmente notificada pela Justiça sobre a prisão do deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD). A informação foi confirmada pela assessoria da Casa nesta segunda-feira (6). A notificação era aguardada para que o caso pudesse entrar em pauta de deliberação no parlamento baiano.
O parlamentar foi preso na sexta-feira (3), dois dias após ser dado como foragido. Ele é acusado de chefiar uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, jogo do bicho, agiotagem e receptação de veículos. Além do deputado, a esposa, o filho e outras sete pessoas foram detidas durante a Operação Estado Anômico, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Em nota, a Alba informou que, após ser notificada, solicitou acesso à decisão judicial e aos autos do processo para compreender os fundamentos da prisão e adotar as medidas cabíveis. “Estamos aguardando que cheguem os autos para que a gente possa deliberar e seguir o que manda a Constituição. Os deputados estão cautelosos e tratando o caso com a responsabilidade que ele requer”, afirmou a presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), em entrevista à TV Bahia.
Prisão preventiva mantida
Também nesta segunda-feira, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva de Binho Galinha após audiência de custódia. O Ministério Público da Bahia informou que o pedido de prisão foi autorizado após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que o foro privilegiado só se aplica a crimes cometidos durante o exercício do mandato e relacionados às funções parlamentares.
No caso do deputado, segundo a decisão, a maioria dos crimes investigados é anterior ao seu mandato ou não possui relação com sua atividade política. O parlamentar está custodiado em Sala de Estado-Maior, em Salvador.
As investigações indicam que o grupo liderado por Binho Galinha atuava há mais de uma década em Feira de Santana e municípios vizinhos, movimentando milhões de reais por meio de empresas de fachada. Em 2023, a Operação El Patrón — que originou o atual desdobramento — já havia levado à prisão de familiares e aliados do deputado e bloqueado mais de R$ 200 milhões em bens e contas bancárias.
Defesa do deputado contesta decisão
Em nota, a defesa de Binho Galinha afirmou que o deputado “jamais esteve foragido”, alegando que ele compareceu espontaneamente ao fórum antes da prisão. Os advogados classificaram a decisão judicial como “nula e desproporcional”, sustentando que foi proferida por uma autoridade “absolutamente incompetente para julgar o caso”.
A defesa também criticou o uso de algemas e a divulgação de vídeos durante a operação, afirmando que houve “espetacularização” das prisões. O texto finaliza reiterando que o parlamentar e sua família “reafirmam sua inocência” e que todas as medidas judiciais cabíveis serão adotadas para restabelecer a legalidade.
Enquanto isso, a Assembleia Legislativa informou que só poderá deliberar internamente sobre o caso após o recebimento integral dos autos.



