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Alvorada dos Ojás: Praça Tancredo Neves é abraçada por laços brancos contra o racismo religioso

Praça Tancredo Neves é abraçada por laços brancos contra o racismo religioso | Fotos: PMVC
Praça Tancredo Neves é abraçada por laços brancos contra o racismo religioso | Fotos: PMVC

A noite dessa terça-feira (20) transformou o principal cartão-postal de Vitória da Conquista em um cenário de fé, resistência e pedidos de paz. A 13ª edição da Alvorada dos Ojás, realizada na Praça Tancredo Neves, reuniu lideranças de matriz africana, autoridades e a sociedade civil em um ato simbólico de combate à intolerância e ao racismo religioso.



Promovido pela Rede Caminho dos Búzios com apoio do Governo Municipal, o evento foi iniciado com o Xirê dos Orixás — um ritual de cânticos e toques ancestrais que reverenciam as divindades do Axé. O ponto alto da cerimônia foi a distribuição dos Ojás, laços de tecido branco que foram amarrados nos troncos das árvores da praça. Para os praticantes, o ato simboliza um abraço à natureza e um clamor por uma convivência harmônica entre todos os credos.


Resistência e Conscientização



Ricardo Alves, coordenador de Igualdade Racial da Semdes, destacou que a Alvorada é um convite à população para o exercício do direito constitucional à liberdade de culto.

"Sabemos que no Brasil existe um forte ataque contra as religiões de matriz africana. Este é um pedido de paz para que todos possam professar sua crença de forma respeitosa", pontuou.


A ialorixá Thalia Assis, da assessoria jurídica da Rede Caminho dos Búzios, reforçou a necessidade de distinguir intolerância de racismo religioso, termo que evidencia a discriminação sofrida especificamente por religiões de origem africana. Segundo ela, o trabalho de conscientização em Vitória da Conquista será intensificado ao longo de 2026, levando o debate para escolas e espaços públicos para combater o preconceito estrutural.



Simbolismo e Memória


Para o babalorixá Pai Léo, a conexão com os elementos naturais é a essência do Candomblé. "Quando amarramos o laço na árvore, estamos pedindo aos nossos ancestrais que tenhamos paz. A árvore é sagrada, traz o nosso oxigênio; é como se fosse um abraço", explicou.



A celebração ocorre estrategicamente na véspera do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro). A data foi instituída em memória de Mãe Gilda, ialorixá baiana que faleceu em 2000 após ser vítima de ataques e perseguições religiosas, tornando-se o maior símbolo nacional da luta pelo respeito à diversidade de crenças.

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