"Amores Materialistas" não é uma comédia romântica, mas um drama romântico sem sal sobre escolhas e sentimentos
- Wilke Lima

- 5 de ago
- 2 min de leitura

Que tipo de amor você merece? Quando este sentimento ganhou entendimento entre o homem e a mulher? O que te complementa em um relacionamento? Estes são apenas alguns dos questionamentos levantados em Amores Materialistas, que se distancia do gênero comédia romântica e faz a sua jornada em um drama romântico , porém sem sal, que traz um lado agridoce sobre se relacionar.
O longa conversa perfeitamente sobre como o relacionamento é visto nos dias atuais, muitas vezes como um negócio, e talvez isso seja um incômodo, mas bom para alguns, pois fará com que cada um reflita sobre si mesmo e como enxerga o significado disso tudo. Em um mundo que exige tanto do material, o filme mostra como as pessoas priorizam o lado financeiro, físico e superficial, ao invés da conexão real, profunda e verdadeira com alguém.
Isso não significa que temos que aceitar qualquer pessoa ou qualquer coisa, pois cada um tem as suas preferências. No entanto, a história questiona o quanto essas superficialidades podem cegar e, até mesmo, custar o lado emocional de alguém.
Protagonizado por Dakota Johnson, Pedro Pascal e Chris Evans, o longa apresenta Lucy, uma casamenteira profissional que otimiza encontros amorosos com base em dados e compatibilidades. Mas, ao tentar aplicar os mesmos critérios à própria vida, ela se vê dividida entre dois homens e duas formas muito distintas de amar, nenhuma delas plenamente satisfatória.
Com ironia, delicadeza e senso crítico, a diretora Celine Song desmistifica o ideal romântico e revela como até os sentimentos mais íntimos são atravessados por estruturas de poder, cálculo e desigualdade financeira.
Amores Materialistas não busca respostas fáceis. Em vez disso, nos convida a encarar as contradições do amar no mundo de hoje - onde o desejo por conexão ainda resiste, mesmo em meio ao desencanto. E é nesse ponto, que embora seja um filme sem sal, sem energia e que merecia um pouco mais de drama em seu desenvolvimento, que a obra brilha, ao tentar mostrar que sim, mesmo com nossas exigências, com nossa idealização, algumas vezes absurdas sobre uma relação perfeita, e mesmo que tenhamos dúvidas sobre o amor, ele existe sim, de verdade.



