Assembleia Legislativa mantém prisão de Binho Galinha, acusado de chefiar milícia na Bahia
- Da Redação

- 10 de out.
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Os deputados estaduais da Bahia votaram, na manhã desta sexta-feira (10), pela manutenção da prisão preventiva do deputado Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD). O parlamentar, que está detido desde a última semana, é acusado de liderar uma organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e comércio ilegal de autopeças em Feira de Santana.
A decisão foi tomada durante sessão extraordinária da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), após parecer técnico emitido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O resultado, definido por voto secreto e maioria absoluta, foi o seguinte:
34 deputados votaram pela manutenção da prisão;
18 votaram contra a prisão;
1 parlamentar se absteve;
e 10 não compareceram à sessão.
Em nota, a ALBA informou que o parecer da CCJ encontrou fundamentos constitucionais tanto para a manutenção quanto para a revogação da prisão, deixando ao plenário a decisão final. O colegiado ressaltou que não analisou o mérito das acusações, cabendo essa tarefa exclusivamente ao Poder Judiciário.
Prisão preventiva e histórico do caso
Binho Galinha foi preso na sexta-feira (3), dois dias após ser considerado foragido. Além dele, a esposa, o filho e outras sete pessoas foram presas no mesmo inquérito, resultado das operações El Patrón e Estado Anômico, conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público da Bahia (MP-BA) e Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FORCE/SSP-BA).
As investigações apontam que o grupo comandado pelo deputado movimentou milhões de reais em recursos ilícitos por meio de empresas de fachada e lavagem de dinheiro. Segundo o MP-BA, a loja de autopeças de propriedade do parlamentar, a Tend Tudo, teria recebido R$ 40,7 milhões em valores sem lastro fiscal, além de comercializar peças de veículos roubados.
Decisão judicial e foro privilegiado
A prisão de Binho Galinha foi determinada pela Justiça baiana com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou o foro privilegiado apenas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções parlamentares. Como a maioria dos ilícitos atribuídos ao deputado ocorreu antes do início do mandato, a competência ficou com o juízo de primeira instância.
O parlamentar está custodiado em uma Sala de Estado-Maior, em Salvador, onde aguarda os desdobramentos do processo.
Próximos passos na ALBA
Com a manutenção da prisão, o caso agora segue para análise do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia. Segundo o regimento da Casa, se for comprovado que a conduta do deputado fere o decoro parlamentar, ele pode ser suspenso ou até perder o mandato. O processo deve ser concluído em até 90 dias, garantindo ao parlamentar o direito à ampla defesa.
Defesa do deputado
Em nota, a defesa de Binho Galinha afirmou que o deputado “jamais esteve foragido” e que a prisão preventiva seria nula e desproporcional, alegando incompetência da vara judicial que decretou a medida. O comunicado também critica o que classifica como “espetacularização das prisões” e reforça que o parlamentar e seus familiares “reafirmam sua plena inocência”, prometendo adotar todas as medidas jurídicas cabíveis.
Com a decisão desta sexta, Binho Galinha torna-se o primeiro deputado em exercício da história da Bahia a ter a prisão mantida pela Assembleia Legislativa.



