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Caraíva vive avanço de facções e tensão em meio ao turismo no sul da Bahia


Conhecida pelas paisagens paradisíacas e pelo turismo de alto padrão, a vila de Caraíva tem enfrentado um cenário de crescente violência e presença de facções criminosas, segundo relatos de moradores e autoridades.


Localizada no município de Porto Seguro, a região se tornou alvo de disputas pelo controle do tráfico de drogas, impulsionadas pela circulação de turistas com alto poder aquisitivo. De acordo com o delegado Diego Gordilho, a área passou a ser estratégica para grupos criminosos interessados em dominar território e comercializar entorpecentes.


Além da atividade turística, a proximidade com a Terra Indígena Barra Velha, onde há limitações de atuação das forças de segurança estaduais, é apontada como um fator que dificulta a fiscalização e favorece a atuação de criminosos.


A região também convive com conflitos históricos entre indígenas e fazendeiros pela posse de terras. Em fevereiro, duas turistas foram baleadas ao passarem por uma área de disputa no município de Prado, vizinho a Porto Seguro.


Segundo especialistas, o cenário atual é resultado da combinação entre pressão imobiliária, crescimento do turismo e fragmentação de grupos criminosos. O professor Paulo Dimas Menezes destaca que há também tensão envolvendo comunidades tradicionais, como o povo Pataxó.


Dados apontam que, apenas em 2025, operações conjuntas da Polícia Federal e forças estaduais resultaram em 12 mortes na região de Caraíva. O número chama atenção quando comparado a estados inteiros como Acre e Roraima.


Moradores relatam que a presença de facções não é recente, mas que o cenário se agravou com a chegada de novos grupos. Atualmente, há disputa entre organizações locais e facções de alcance nacional, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.


Apesar do aumento da violência, a maior parte dos turistas ainda consegue aproveitar a região sem perceber diretamente a atuação criminosa. No entanto, episódios como tiroteios e toques de recolher têm gerado apreensão, especialmente durante operações policiais.


Segundo relatos, há momentos de “trégua” durante a alta temporada, quando o fluxo turístico é maior. Ainda assim, moradores apontam sensação crescente de insegurança, com mudanças no cotidiano e incerteza sobre a estabilidade da região.


A Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que tem intensificado o combate ao crime organizado no extremo sul do estado, com reforço no policiamento e ações baseadas em inteligência.


Especialistas avaliam que a região reúne fatores que favorecem a atuação criminosa, como localização estratégica próxima à divisa com Minas Gerais e Espírito Santo, além de rotas terrestres e marítimas utilizadas para o escoamento de ilícitos.


Enquanto isso, Caraíva segue dividida entre o turismo que atrai visitantes de todo o país e os desafios crescentes relacionados à segurança pública e disputas territoriais.

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