Cinco dias após fuga, nenhum dos 16 detentos de presídio em Eunápolis foi capturado
- Da Redação

- 17 de dez. de 2024
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Cinco dias após a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, nenhum fugitivo foi recapturado. O episódio, ocorrido na última quinta-feira (12), tem gerado apreensão entre os moradores e evidenciado as fragilidades na política penitenciária do estado, de acordo com especialistas.
Durante as operações de busca, três suspeitos de participação na fuga foram mortos em confrontos com as forças de segurança e dois foram presos. Entre os mortos estão Jaione Santos de Souza (33), Fernando Correia Santos (35) e David Silva Souza (32), apontados como mentores do resgate. Outro confronto, no sábado (14), resultou na morte de Jason dos Santos da Silva (36), cuja participação no crime segue sob investigação.
A fuga, considerada a maior e mais audaciosa dos últimos anos, foi orquestrada de forma coordenada. Enquanto os detentos perfuraram o teto da unidade, um grupo armado cortou a grade externa e atacou os guardas de plantão. O alvo da operação seria Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá, apontado como chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
O caso reacende o debate sobre a gestão privada das penitenciárias. A unidade é administrada pela empresa Reviver Administração Prisional Privada LTDA, responsável por outras três prisões na Bahia. Somente em 2024, o governo estadual desembolsou R$ 56,59 milhões com a empresa. Nos últimos dois anos, os custos chegaram a R$ 126,32 milhões.
Para especialistas, o modelo de gestão prisional aliado a um sistema de segurança pública focado em confrontos e operações pontuais contribui para o agravamento da situação. Segundo Dudu Ribeiro, coordenador da Rede de Observatórios da Segurança, a fuga é reflexo de um cenário em que a segurança é tratada sob uma lógica de guerra e confronto, favorecendo o crescimento de facções criminosas no estado.
O caso se soma a outros episódios recentes no Conjunto Penal de Eunápolis. Em dezembro de 2023, dois detentos fugiram com a ajuda de funcionários, e, em 2016, um preso escapou disfarçado com peruca e barba. A reincidência de fugas reforça a necessidade de revisão urgente do modelo prisional baiano e da ampliação dos investimentos em inteligência e investigação, conforme apontado por especialistas.
Enquanto as buscas pelos fugitivos seguem, a população de Eunápolis permanece apreensiva, aguardando respostas e soluções efetivas das autoridades.



