Cinema brasileiro perde Orlando Senna, cineasta baiano e referência do audiovisual
- Da Redação

- 10 de jun.
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O cineasta, roteirista e gestor cultural Orlando Senna morreu nesta terça-feira (9), aos 86 anos. Nascido em Lençóis, na Chapada Diamantina, ele deixa um legado que atravessa mais de cinco décadas dedicadas ao cinema brasileiro, à televisão e às políticas públicas de cultura.
A morte foi confirmada por familiares e divulgada nas redes sociais do realizador. A causa não foi informada.
Considerado um dos nomes mais importantes do audiovisual nacional, Orlando Senna construiu uma carreira marcada pela produção cinematográfica, pela formação de novos profissionais e pela defesa do fortalecimento da cultura brasileira. No último domingo (7), ele participou de uma sessão especial de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro.
Entre suas obras mais reconhecidas está Iracema – Uma Transa Amazônica, lançado em 1975 e dirigido em parceria com Jorge Bodanzky. O filme, que mistura documentário e ficção para retratar os impactos sociais e ambientais da construção da Rodovia Transamazônica, tornou-se um marco do cinema brasileiro e enfrentou restrições durante o período da ditadura militar.
Orlando iniciou sua trajetória artística como assistente de direção no filme Tocaia no Asfalto, de Roberto Pires. Posteriormente dirigiu produções como A Construção da Morte, Gitirana e Diamante Bruto, além de colaborar como roteirista em projetos de importantes cineastas brasileiros.
Além da atuação atrás das câmeras, teve participação destacada na gestão cultural. Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, durante a gestão do então ministro Gilberto Gil, contribuindo para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor. Também dirigiu a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e participou da estruturação da TV Brasil.
Orlando Senna manteve ainda uma forte ligação com a formação de novos profissionais do cinema, atuando como professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba.
Viúvo da atriz e documentarista Conceição Senna, falecida em 2020, Orlando deixa uma trajetória marcada pela valorização da cultura, pela inovação no audiovisual e pela contribuição decisiva ao desenvolvimento do cinema brasileiro. Sua morte representa uma perda significativa para a cultura nacional e para a história artística da Bahia.




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