Com revelação de um segredo, "O Drama" é psicologicamente tenso e desconfortável
- Wilke Lima

- há 17 horas
- 2 min de leitura

Nada de felizes para sempre. O começo de 'O Drama' faz você acreditar que está assistindo apenas a uma comédia romântica clichê, até que o filme vira a chave e muda tudo. Ele te prende e te deixa tenso conforme a trama avança. É muito imprevisível ,surpreendente, tenso e desconfortável em vários sentidos. E como se não bastasse tudo isso, o filme ainda toca numa ferida da sociedade americana que está sempre aberta, e logo quando o roteiro se desenvolve com mais tensão, você percebe isso logo de cara.
Mas em vez de focar enfaticamente em um problema social, o longa se aprofunda ainda mais em questões de relacionamentos. Até onde é possível permanecer ao lado de uma pessoa após descobrir a pior coisa que ela já fez? É difícil não se colocar no lugar e pensar sobre os limites da empatia e a facilidade com que julgamentos são construídos. E para construir as tensões psicológicas e as agonias da história, Robert Pattinson e Zendaya foram perfeitos em todas as cenas, da mais feliz e romântica, até as mais fofinhas e caóticas.
O filme constrói situações apostando cada vez mais no riso causado pela tensão acumulada, sem se preocupar com uma possível sensibilidade do espectador ao assunto tratado. Há uma escalada de eventos que expõem não apenas o casal, mas também aqueles ao seu redor, rápidos em ocupar um conveniente pedestal moral. O longa acaba provocando o telespectador a pensar do lado de quem irá ficar, mas acaba entregando o final que faz qualquer um dos lados escolhidos ser o errado ou certo.
“O Drama” se sustenta nessa corda bamba entre provocação e observação e escolhe um desfecho que não deve agradar a todos. Ao final, o filme sugere que relacionamentos se constroem a partir de concessões, muitas vezes tolerando mentiras e hipocrisia melhor do que a verdade. Não se trata de encontrar alguém perfeito, mas de aceitar (ou suportar) quando a idealização deixa de ser suficiente.



