Condenado a mais de 21 anos de prisão cúmplice de assassinato da pastora Marcilene e da sobrinha Ana Cristina
- Da Redação

- 16 de jul.
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Fábio de Jesus Santos foi condenado a 21 anos e 4 meses de prisão pelo Tribunal do Júri da Comarca de Vitória da Conquista por envolvimento no assassinato da pastora Marcilene Oliveira Sampaio e de sua sobrinha, Ana Cristina Santos Sampaio, em um crime que chocou a Bahia em janeiro de 2016.
A decisão judicial se soma às condenações já aplicadas a Edimar da Silva Brito, conhecido como “pastor Edimar”, que recebeu pena de 32 anos, e ao vigilante Adriano Silva dos Santos, também sentenciado por participação no crime. Todos os réus devem cumprir pena em regime fechado.
Vingança após rompimento religioso

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o crime foi motivado por vingança. As vítimas, que antes integravam a igreja liderada por Edimar, se desligaram da congregação após um desentendimento com o pastor e fundaram um novo templo, levando consigo a maioria dos fiéis. A perda de seguidores teria provocado a revolta de Edimar, que então planejou o duplo homicídio.
Na noite do crime, 19 de janeiro de 2016, Marcilene, Ana Cristina e o marido da pastora, Carlos Eduardo, também pastor, haviam saído do templo recém-fundado e seguiam para o sítio onde moravam, quando o carro deles apresentou defeito na rodovia entre Vitória da Conquista e Barra do Choça. Ao descer para verificar o problema, Carlos foi abordado por três homens em outro veículo. Entre eles, estava Edimar.
Segundo a polícia, os criminosos já vinham seguindo a família e pretendiam cometer o assassinato no sítio. No entanto, ao verem o carro parado na estrada, decidiram agir ali mesmo.
Execução brutal
Carlos Eduardo foi colocado no carro dos criminosos sob a mira de uma arma, enquanto Marcilene e Ana Cristina ficaram retidas à beira da estrada. Conforme o relato do marido da vítima, ele foi espancado diversas vezes durante o trajeto, mas conseguiu escapar ao se jogar do veículo em movimento e acionou a polícia.
Marcilene e Ana Cristina foram obrigadas a caminhar até uma área isolada nas imediações e brutalmente assassinadas a pedradas. Os laudos do Departamento de Polícia Técnica apontaram que os golpes na cabeça foram tão violentos que os corpos ficaram irreconhecíveis.
Além de pastora, Marcilene era professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb).
Prisão dos envolvidos e julgamento

Adriano e Fábio foram presos no dia seguinte ao crime e confessaram participação, indicando Edimar como mandante. Edimar ficou foragido por alguns dias, sendo capturado em uma fazenda na zona rural de Ibicuí, no distrito de Ibitupã.
Durante o julgamento de Edimar, o Ministério Público sustentou que o crime foi premeditado e cometido com extrema frieza, sem chance de defesa para as vítimas. A tese foi aceita pelo Conselho de Sentença. A juíza Ivana Pinto Luz classificou o ato como homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.
A defesa de Edimar, no entanto, entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), alegando erro no julgamento e problemas técnicos que impediram a exibição do depoimento gravado do sobrevivente, Carlos Eduardo, que não compareceu ao júri. O pedido busca a anulação do julgamento.
Enquanto os recursos são analisados, os três condenados permanecem presos e devem cumprir suas penas em regime fechado.



