Encontro dos Povos de Axé debate liberdade religiosa e combate ao racismo em Vitória da Conquista
- Da Redação

- há 7 horas
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Com o objetivo de discutir o direito de crianças e adolescentes à liberdade de culto e crença no contexto das religiões afro-brasileiras, foi realizado o 4º Encontro dos Povos de Axé, em Vitória da Conquista. O evento aconteceu no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima e integrou as ações em alusão ao Dia Nacional das Tradições de Raízes Africanas.
Promovido pela Rede Caminho dos Búzios, com apoio da Prefeitura, o encontro reuniu lideranças religiosas, representantes do poder público e da sociedade civil para debater os desafios da intolerância religiosa, especialmente entre crianças e adolescentes.
A abertura contou com a presença do secretário municipal de Desenvolvimento Social, Michael Farias, que destacou a importância da iniciativa como instrumento de enfrentamento ao racismo religioso. Segundo ele, o município tem o compromisso de promover uma sociedade mais justa e livre de preconceitos, ressaltando que a ação também integra resultados ligados ao Selo Unicef.

Integrante da Rede Caminho dos Búzios, Mãe Luanda d’Oxum reforçou a relevância do evento para garantir dignidade às novas gerações. Ela destacou que o fortalecimento das religiões de matriz africana passa pelo respeito e pela valorização das tradições, além da parceria com o poder público para ampliar o alcance das ações.
A presidente do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Comppir), Mariana Aquino, também participou do encontro e ressaltou a resistência do movimento na luta por mais igualdade e reconhecimento.
Durante a programação, a consultora em proteção de crianças e adolescentes, Polímnia Cassimiro, abordou os impactos do racismo religioso na vida escolar e social dos jovens, defendendo a necessidade de garantir proteção e escuta qualificada para esse público.
Representando a vivência nos terreiros, Pai Jorge de Logun-Edé, do Terreiro Lojereci, compartilhou experiências de acolhimento a crianças em situação de vulnerabilidade, destacando o papel social desempenhado pelas comunidades de axé.
Já a representante da Juventude Negra, Letícia Figueiredo, chamou atenção para a realidade enfrentada por jovens que sofrem preconceito em ambientes institucionais, como escolas, e reforçou a importância de ampliar o debate na sociedade.
Além das mesas de discussão, o encontro contou com painéis temáticos sobre a trajetória da Umbanda no município e a importância do acolhimento nas comunidades de terreiro. A programação também incluiu apresentações culturais, como o samba de roda, fortalecendo o sentimento de pertencimento e identidade.
A iniciativa foi organizada pela Coordenação Municipal de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), com participação da Comissão Municipal do Selo Unicef e do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).



