Esquema de lavagem de dinheiro no jogo do bicho movimentou R$ 5 bilhões na Bahia
- Da Redação

- 19 de dez. de 2024
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Entre 2010 e 2020, uma rede criminosa ligada ao grupo de jogos de azar Paratodos utilizou 23 empresas de fachada para lavar aproximadamente R$ 5 bilhões na Bahia. A descoberta foi feita pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) durante a Operação Lei Para Todos, deflagrada em 18 de dezembro, que resultou na denúncia de 14 pessoas e no bloqueio de bens de alto valor, como imóveis, veículos de luxo, lanchas e aeronaves.
A operação revelou que essas empresas tinham o objetivo de disfarçar a origem ilícita de recursos provenientes do jogo do bicho, máquinas caça-níqueis e apostas eletrônicas. Os valores eram inseridos na economia formal, ampliando de forma exponencial o patrimônio dos envolvidos. Em um dos casos, uma pessoa viu sua fortuna crescer de R$ 9 milhões para R$ 65 milhões em apenas nove anos.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 92,8 milhões em contas bancárias dos denunciados. As investigações apontaram que a empresa OM Recreativo Administração e Locação Ltda. era usada como base clandestina para o jogo do bicho, enquanto a Projeta Tecnologias e Projetos Ltda. modernizava as apostas ilegais por meio do “bicho eletrônico”.
O esquema operava em três núcleos principais:
1. Jogo do Bicho: Gerenciamento de apostas tradicionais.
2. Máquinas Caça-Níqueis: Instalação e arrecadação de valores ilícitos.
3. Bicho Eletrônico: Modernização das apostas por plataformas tecnológicas.
A operação também identificou fortes esquemas de segurança nas sedes das empresas envolvidas, evidenciando a organização e a complexidade da rede criminosa.
A “Operação Lei Para Todos” representa um marco no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro na Bahia, expondo as estratégias de grupos que lucram com atividades ilícitas enquanto buscam legitimar seus ganhos na economia formal.



