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Ex‑deputado Uldurico Jr. volta ao centro das investigações sobre a fuga de 16 presos em Eunápolis; MP aponta visitas sem registro, contato com líderes de facção e vínculo pessoal com a ex‑diretora


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O Ministério Público da Bahia (MP‑BA) incluiu o ex‑deputado federal Uldurico Alencar Pinto Júnior (ex‑PL) no inquérito que apura a espetacular fuga de 16 internos da cela 44 do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em 12 de dezembro de 2024. De acordo com depoimentos colhidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o ex‑parlamentar frequentava o presídio “com livre passagem”, sem passar por revista ou mesmo constar nos livros de visita, e teria mantido diálogo direto com detentos que exercem funções de liderança na facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).


Relação com a ex‑diretora


O ponto de convergência é Joneuma Silva Neres, ex‑diretora do Conjunto Penal, denunciada por corrupção, organização criminosa e facilitação de fuga. Testemunhas sustentam que Joneuma e Uldurico mantinham relação de confiança ― descrita em alguns depoimentos como “próxima” ou “pessoal” ― desde o período em que o político ocupou mandato na Câmara. Segundo os promotores, essa ligação teria viabilizado a permanência dela no cargo, mesmo diante de indícios de irregularidades internas.


Em abril, já fora do presídio e respondendo às acusações, Joneuma ajuizou uma ação de alimentos na Vara da Família alegando estar grávida de Uldurico. No processo, ela pediu pensão emergencial, afirmando não ter renda depois que perdeu o posto. A defesa do ex‑deputado nega a paternidade e informou que ele “tem interesse imediato” na realização de exame de DNA. O pleito ainda não foi analisado pela Justiça.


Visitas “fora do protocolo”


Em depoimento obtido pela TV Bahia, um policial penal declarou que “se sentia constrangido” sempre que o ex‑deputado chegava ao presídio. Segundo ele, o político atravessava a portaria sem revista ou anotação em sistema, circulava pela ala de segurança máxima e conversava com presos de alta periculosidade ― entre eles Ednaldo “Dadá” dos Santos, apontado como chefe da PCE. O servidor relatou que, por precaução, ausentava‑se das galerias quando isso acontecia.


Fuga cinematográfica


Os 16 detentos serraram grades, arrebentaram cadeados e escaparam pelos fundos da unidade na madrugada de 12 de dezembro. Câmeras de monitoramento estavam desligadas. O MP sustenta que a fuga custou cerca de R$ 1,5 milhão, valor negociado entre integrantes da facção e a ex‑diretora Joneuma, que, à época, mantinha “vínculo íntimo” com Dadá. Dois fugitivos morreram em confronto, seis foram recapturados e oito seguem foragidos.


Defesa de Uldurico


Procurado, o ex‑deputado declarou por nota que:


  • “jamais interferiu na administração do Conjunto Penal”;

  • “visitou a unidade em agendas oficiais, sempre com autorização”, embora não tenha explicado por que as entradas não constavam nos registros;

  • “não tem qualquer relação com facções criminosas”;

  • “reitera confiança na Justiça” e “prestará todos os esclarecimentos se for convocado”.


Próximos passos


O MP encaminhou à 2ª Vara Criminal de Eunápolis novo pedido de quebra de sigilo telefônico e bancário de Uldurico e de Joneuma, além da requisição das filmagens internas do período anterior à fuga. O órgão também solicitou cooperação da Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária para apurar o porquê de visitas sem registro.


Joneuma, por sua vez, aguarda audiência de instrução. Ela responde presa preventivamente desde março e, se condenada, pode pegar mais de 20 anos por corrupção passiva, facilitação de fuga e organização criminosa.


Enquanto isso, o caso ganha contornos políticos: adversários do ex‑deputado, candidato derrotado à prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024, já ensaiam usar o episódio no debate eleitoral de 2026.

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