Frei que atuou em Vitória da Conquista pode se tornar santo
- Da Redação

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O caminho para os altares de um dos religiosos mais carismáticos do Nordeste ganha novos capítulos. O processo de beatificação de Frei Miguel de Singoli (nascido Michelangelo Ângelo Serafini) segue em ritmo intenso. Atualmente com o título de Servo de Deus, o frei italiano, que faleceu aos 104 anos, tem sua vida e virtudes heroicas analisadas pela Igreja Católica, com previsão de encerramento da fase de coleta de provas ainda em 2026.
Trajetória Missionária: O Início na Bahia
Nascido em 1908, em Cíngoli, Itália, Frei Miguel chegou ao Brasil em 1935. Antes de se tornar uma lenda em Sergipe, ele estabeleceu raízes profundas em solo baiano. Lecionou para seminaristas e desempenhou um papel missionário crucial em cidades como Esplanada, Entre Rios, Rio Real e Jandaíra.
Em Vitória da Conquista, sua marca é indelével. O frei é lembrado por sua atuação na construção da Catedral Metropolitana e por sua gestão como pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Sua dedicação aos pobres e sua vida de extrema simplicidade — movendo-se sempre a pé ou por transporte público — começaram a moldar sua fama de santidade ainda em solo conquistense.
O "Santo de Aracaju"
Em 1963, Frei Miguel foi transferido para a capital sergipana, onde passaria o resto de sua longa vida. Em Aracaju, ele transformou o bairro América e ergueu templos importantes, como a Igreja dos Capuchinhos e o Santuário São Judas Tadeu, consagrado em 1973 e onde seus restos mortais descansam hoje.
Sua caridade comunitária, focada na distribuição de alimentos e assistência às famílias carentes, fez com que a população o apelidasse carinhosamente de "Santo de Aracaju".
Iniciado oficialmente em 2018 sob a liderança de Dom Josafá Menezes, o processo está agora na fase de entrevistas e análise de documentos históricos. Após o reconhecimento das virtudes pelo Vaticano, o frei será declarado "Venerável".
Memorial e Devoção
Para os fiéis que desejam conhecer mais sobre sua história, o Memorial Frei Miguel, inaugurado em 2016 em Aracaju, reúne objetos pessoais e registros de suas ações missionárias. Anualmente, o Tríduo em sua memória atrai milhares de devotos de todo o Nordeste, incluindo caravanas de Vitória da Conquista, que mantêm viva a chama da devoção ao "frei centenário".



