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Justiça solta turista gaúcha que exigiu até "delegado branco" e escancara lacunas no combate ao racismo


A decisão judicial que concedeu liberdade provisória a Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, levanta questionamentos sobre a efetividade do Estado na punição de crimes raciais. A turista gaúcha foi presa em flagrante na última quarta-feira (21), no Pelourinho, após chamar uma comerciante de "lixo" e cuspir em seu rosto, afirmando: "Eu sou branca". Mesmo diante da gravidade do ato e da conduta reincidente dentro da delegacia — onde exigiu ser atendida exclusivamente por um delegado branco —, a investigada foi liberada pela Justiça baiana dois dias depois.


A soltura, embora amparada legalmente por medidas cautelares como a proibição de frequentar o local do crime, expõe uma contradição sistêmica: enquanto a legislação brasileira tornou a injúria racial um crime imprescritível e inafiançável, a prática processual permite que agressores respondam em liberdade quase imediata. Para críticos e movimentos sociais, a rapidez da liberação, somada ao deboche institucionalizado da acusada ao tentar escolher a cor do delegado na própria Delegacia de Combate ao Racismo (Decrin), sinaliza uma omissão estatal que fragiliza a proteção de vítimas e desencoraja denúncias no centro histórico de Salvador.

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