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Megaoperação no Rio expõe ligação entre o Comando Vermelho e a Bahia: baianos mortos e presos revelam rede interestadual do crime

A megaoperação deflagrada nas bases do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, revelou de forma explícita a conexão criminosa entre a facção carioca e a Bahia. Entre os mortos, está Júlio Souza Silva, de 26 anos, natural de Salvador, apontado como liderança do CV no Vale das Pedrinhas. Júlio utilizava um fuzil com o emblema da bandeira da Bahia e havia se instalado na capital fluminense para atuar na linha de frente da facção.


Júlio Souza Silva, de 26 anos, natural de Salvador, apontado como liderança do CV no Vale das Pedrinhas.
Júlio Souza Silva, de 26 anos, natural de Salvador, apontado como liderança do CV no Vale das Pedrinhas.

Além dele, outros três baianos foram alvos da operação, com dois presos em ação conjunta de segurança. Os detidos são Marlon Niza Júnior e Rauflan Santos Costa, ambos de Canavieiras — o primeiro, foragido por envolvimento no assassinato de um casal em 2021, e o segundo, procurado por tráfico de drogas. Eles foram capturados após invadir uma casa na Vila Cruzeiro.


A cooperação entre criminosos da Bahia e do Rio de Janeiro já vinha sendo monitorada por autoridades de segurança e reforça um padrão crescente de intercâmbio entre estados, no qual traficantes baianos buscam refúgio em comunidades fluminenses, enquanto líderes cariocas se estabelecem em território baiano para comandar ações à distância.


Em Salvador, por exemplo, o traficante Rodolfo Borges Barbosa de Souza, conhecido como “Barão do Tráfico”, foi apontado como principal responsável pelo envio de armas do Rio para a Bahia, a partir da favela da Rocinha. Investigações apontam uma rota internacional de munições que parte do Leste Europeu, passa pelo Paraguai, chega ao Rio de Janeiro e segue até a Bahia.


De forma inversa, o território fluminense também serve como abrigo para criminosos baianos foragidos, como Anderson Souza de Jesus, o “Buel”, ligado ao CV na Bahia, que teria se escondido no Complexo da Maré enquanto ordenava ataques em Salvador.



Expansão da facção na Bahia


A presença do Comando Vermelho se intensificou em diversas regiões da Bahia em 2025, com confrontos, invasões e ataques armados registrados em Salvador, Caraíva, Eunápolis e no Recôncavo.


Salvador


Na capital baiana, o CV expandiu domínio em bairros como Tancredo Neves, Fazenda Coutos, Vila Verde, Cosme de Farias, Vila Laura e Castelo Branco. Houve ataques a coletivos, pichações, invasões e exibições de armamento pesado em confrontos com facções rivais.


Caraíva (Extremo Sul)


No distrito turístico de Caraíva, o CV tem imposto violência contra facções rivais e moradores locais, com casos de execuções e retaliações. Em julho, cinco integrantes da facção foram mortos e seis presos em operação policial. Entre os mortos estava Gabriel Lima da Silva, o “Cobrinha”, acusado de sequestro e esquartejamento de um jovem em Eunápolis.



Um mês depois, Raiane Bispo Santana, de 30 anos, foi executada por engano em Nova Caraíva, em suposta retaliação do grupo criminoso.


Eunápolis


Em Eunápolis, o CV vem intensificando o controle do tráfico e das prisões locais. Casos de homicídios brutais e corrupção penitenciária chamaram atenção das autoridades.


O motorista de aplicativo Weverton Antônio dos Santos, de 28 anos, foi sequestrado e esquartejado após ser confundido com um informante.
O motorista de aplicativo Weverton Antônio dos Santos, de 28 anos, foi sequestrado e esquartejado após ser confundido com um informante.


Já Wanderson Oliveira dos Santos, apontado como líder do CV no município, foi preso após tentar matar o diretor do presídio e policiais.


Além disso, a ex-diretora do presídio local, Joneuma Silva Neres, foi denunciada por facilitar fugas e teria recebido R$ 1,5 milhão em propina.
Além disso, a ex-diretora do presídio local, Joneuma Silva Neres, foi denunciada por facilitar fugas e teria recebido R$ 1,5 milhão em propina.


Recôncavo Baiano


Na região do Recôncavo, a facção tem avançado sobre territórios do Bonde do Maluco (BDM), com foco nas cidades de Cachoeira e Muritiba. Em outubro, a chamada “Tropa do CV”, formada pelos grupos Javali, Mago e Urso, divulgou ameaças públicas de tomar os municípios.


A presença da facção já é perceptível em São Félix, e autoridades reconhecem que a segurança da região histórica está sob forte tensão.


A expansão territorial do Comando Vermelho na Bahia e o intercâmbio logístico com o Rio de Janeiro reforçam o alerta de integração interestadual das facções, com operações, rotas de armas e lavagem de dinheiro articuladas entre os dois estados.


As forças de segurança monitoram possíveis novas ramificações da facção e investigam conexões políticas e financeiras que possam sustentar essa rede criminosa.

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