top of page

'Michael': Cinebiografia do rei do pop deixa de lado a complexidade e polêmicas e emociona do início ao fim




Michael, cinebiografia de um dos maiores popstars do século XX, e pra mim o maior de todos, é um espetáculo de encher os olhos. Reproduz com maestria alguns dos principais momentos da carreira do autor de Thriller, em especial sua performance no programa de TV dedicado a Motown, gravadora que o lançou, em 1983. Por outro lado, tem uma narrativa desonesta e que reduz alguns personagens chave da trajetória do cantor a mero coadjuvantes.


Mas é lógico que não dá pra contar a história de vida do Michael com tudo que aconteceu em cima dos palcos e fora dele e não só por isso é que a produção não se aprofunda em toda a complexidade e polêmicas que envolveram a vida do Michael, mas também porque é visível que tem o dedo da família Jackson por trás impedindo que muitos assuntos fossem deixado de lado.


Mas se você é muito fã vai entender que a cinebiografia foi desonesta ao não se aprofundar em muitos detalhes importantes, mas também vai entender que ela foi feita mesmo para homenagear a trajetória, a mente genial e criativa por trás de um homem que sofreu muito na mão do pai com abusos psicológicos e físicos que lhe causaram traumas durante toda a vida.


Mas a cinebiografia acerta muito ao trazer também a doçura, a sensibilidade e a bondade de Michael diante principalmente das crianças e das tragédias do mundo. É nesse ponto que Jaafar Jackson surpreende de forma definitiva. Sua interpretação não se limita a imitar trejeitos ou reproduzir coreografias conhecidas. Ele se transforma em Michael, com uma naturalidade que impressiona até os olhares mais céticos.


No fim, MICHAEL não é apenas uma cinebiografia, acaba funcionando mais com um catálogo musical da trajetória do artista do que propriamente uma história contada com detalhes importantes. É um convite para revisitar uma trajetória que ultrapassa o entretenimento e se inscreve na história cultural global. Mesmo quando escolhe não ir tão fundo quanto poderia, o filme se sustenta pela força do personagem que retrata.


E talvez seja exatamente isso que torna a experiência tão envolvente: não importa quantas vezes essa história seja contada, ela ainda encontra maneiras de emocionar, surpreender e fazer o público viajar, não apenas pelo que é mostrado na tela, mas pelo que permanece vivo na memória coletiva pra sempre.


Feira da Diversidade
bottom of page