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"O Último Azul" traz uma distopia amazônica e uma reflexão forte sobre etarismo e liberdade

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O cineasta Gabriel Mascaro entrega em “O Último Azul" uma obra de beleza visual e potência simbólica rara. Vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, o filme se passa em uma distopia amazônica onde idosos são isolados pelo Estado. É nesse cenário que acompanhamos Tereza (Denise Weinberg), 77 anos, em fuga para realizar um sonho. Com uma atuação impecável, Denise faz o filme ser ainda mais próximo da realidade fazendo com que o público fique ainda mais envolvido e comovido com sua história.


Com uma fotografia incrível, a Amazônia não fica apenas como pano de fundo , ela faz parte da história. Os rios, a floresta, a paleta de cores e os sons criam uma atmosfera incrível na narrativa. A direção transforma a paisagem em espelho da protagonista: sinuosa, resistente, cheia de curvas e desvios. O filme recusa a visão estereotipada da velhice como decadência ou nostalgia e aposta em uma história de redescoberta, aprendizado e transformação.


Vale destacar também a amizade entre Tereza e Roberta é talvez o ponto mais bonito do filme e, infelizmente, pouco destacado pela crítica. As duas criam uma parceria linda, quase de sobrevivência, que mostra como a amizade também salva, que o amor da nossa vida pode ser um amor não romântico, pode ser o amor de uma amizade. O filme fala sobre etarismo, mas vai além: mostra que envelhecer não significa se conformar, e sim manter a capacidade de desejar, reinventar-se e seguir aberto à vida ao passo que mantém viva a chama de ser livre mesmo com as dificuldades impostas pela vida.


O longa traz também um gosto afetivo e político que acaba sendo inegável. Não se trata apenas de um futuro distópico, mas de um desvio do presente que vivemos, um alerta para os mecanismos de controle e exclusão que já estão entre nós. Mascaro entrega uma obra lírica, dura e vital, que celebra a resistência e a capacidade de sonhar em qualquer idade.

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