Operação Vassalos: PF investiga esquema de R$ 70 milhões e atinge núcleos político e empresarial das famílias Coelho e Oliveira Neto
- Da Redação

- 27 de fev.
- 2 min de leitura

A Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com autorização do Ministro Flávio Dino (STF), revelou um suposto esquema de corrupção que impacta diretamente os pilares político e econômico da família Coelho, em Pernambuco, e da família Oliveira Neto, em Vitória da Conquista. A investigação apura o desvio de mais de R$ 70 milhões em emendas parlamentares e recursos federais que deveriam ser destinados a obras de pavimentação.
O Núcleo Político: A Família Coelho sob a mira do STF
Segundo a Polícia Federal, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) é apontado como o líder do núcleo político. O esquema funcionava através do direcionamento de emendas parlamentares e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) para a Prefeitura de Petrolina — gerida por seu filho Miguel Coelho entre 2017 e 2022 — e para a Codevasf.
Os principais pontos de envolvimento da família incluem:
Fernando Bezerra Coelho (Pai): Exercia ingerência política na Codevasf para nomear aliados e operacionalizar o fluxo de verbas.
Fernando Filho (Deputado Federal): Monitorava a liberação de emendas e, junto com sua esposa, é suspeito de utilizar estruturas societárias "invisíveis" (SCPs) para ocultação patrimonial.
Miguel Coelho (Ex-prefeito): Durante sua gestão, a empresa Liga Engenharia (cujos sócios possuem laços de parentesco com a família) tornou-se a maior fornecedora do município, recebendo R$ 190,5 milhões desde 2017.
O Núcleo de Apoio: Família Oliveira Neto e o impacto em Vitória da Conquista
A operação cruzou a fronteira estadual e atingiu Vitória da Conquista através de Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, sobrinho de Fernando Bezerra. Carlos Alberto é visto pelos investigadores como uma peça-chave no "Núcleo de Apoio e Ocultação".
A investigação aponta que o empresário, sócio de grandes empreendimentos como o Shopping Boulevard e a BYD Conquista, mantinha conta conjunta com o primo Fernando Filho e realizava vultosas movimentações financeiras em espécie. A suspeita da PF é que ele atuasse como "laranja" para parlamentares da família, utilizando o vigor do Grupo Oliveira Neto para dar aparência de legalidade a recursos desviados. Na casa do empresário, em Conquista, foram apreendidos R$ 1,2 milhão em espécie escondidos em um cooler e em um veículo.
Como funcionava o fluxo do dinheiro
A petição do STF detalha um ciclo de lavagem de dinheiro dividido em três etapas:
Destinação: Emendas são enviadas para Petrolina e Codevasf.
Contratação: A Liga Engenharia vence licitações (com indícios de favorecimento) e recebe os pagamentos.
Retorno: O dinheiro "limpo" retorna aos políticos e seus familiares através de saques em espécie (foram detectados 250 saques totalizando R$ 3,7 milhões), simulações imobiliárias e aportes em empresas ligadas às esposas dos investigados.
O que dizem as defesas:
Fernando Bezerra Coelho: Afirma que todos os recursos foram corretamente destinados e que ainda não teve acesso integral aos autos.
Miguel e Fernando Filho: Em nota conjunta, classificam a operação como tendo "viés político" e alegam que parte dos fatos já foi arquivada anteriormente pelo STF.
Codevasf e Prefeitura de Petrolina: Declararam estar colaborando com as autoridades e que todas as obras foram executadas e as contas estão regulares.



