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Operação Vassalos: PF investiga esquema de R$ 70 milhões e atinge núcleos político e empresarial das famílias Coelho e Oliveira Neto


A Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com autorização do Ministro Flávio Dino (STF), revelou um suposto esquema de corrupção que impacta diretamente os pilares político e econômico da família Coelho, em Pernambuco, e da família Oliveira Neto, em Vitória da Conquista. A investigação apura o desvio de mais de R$ 70 milhões em emendas parlamentares e recursos federais que deveriam ser destinados a obras de pavimentação.


O Núcleo Político: A Família Coelho sob a mira do STF


Segundo a Polícia Federal, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) é apontado como o líder do núcleo político. O esquema funcionava através do direcionamento de emendas parlamentares e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) para a Prefeitura de Petrolina — gerida por seu filho Miguel Coelho entre 2017 e 2022 — e para a Codevasf.


Os principais pontos de envolvimento da família incluem:


Fernando Bezerra Coelho (Pai): Exercia ingerência política na Codevasf para nomear aliados e operacionalizar o fluxo de verbas.


Fernando Filho (Deputado Federal): Monitorava a liberação de emendas e, junto com sua esposa, é suspeito de utilizar estruturas societárias "invisíveis" (SCPs) para ocultação patrimonial.


Miguel Coelho (Ex-prefeito): Durante sua gestão, a empresa Liga Engenharia (cujos sócios possuem laços de parentesco com a família) tornou-se a maior fornecedora do município, recebendo R$ 190,5 milhões desde 2017.


O Núcleo de Apoio: Família Oliveira Neto e o impacto em Vitória da Conquista


A operação cruzou a fronteira estadual e atingiu Vitória da Conquista através de Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, sobrinho de Fernando Bezerra. Carlos Alberto é visto pelos investigadores como uma peça-chave no "Núcleo de Apoio e Ocultação".


A investigação aponta que o empresário, sócio de grandes empreendimentos como o Shopping Boulevard e a BYD Conquista, mantinha conta conjunta com o primo Fernando Filho e realizava vultosas movimentações financeiras em espécie. A suspeita da PF é que ele atuasse como "laranja" para parlamentares da família, utilizando o vigor do Grupo Oliveira Neto para dar aparência de legalidade a recursos desviados. Na casa do empresário, em Conquista, foram apreendidos R$ 1,2 milhão em espécie escondidos em um cooler e em um veículo.


Como funcionava o fluxo do dinheiro


A petição do STF detalha um ciclo de lavagem de dinheiro dividido em três etapas:


Destinação: Emendas são enviadas para Petrolina e Codevasf.


Contratação: A Liga Engenharia vence licitações (com indícios de favorecimento) e recebe os pagamentos.


Retorno: O dinheiro "limpo" retorna aos políticos e seus familiares através de saques em espécie (foram detectados 250 saques totalizando R$ 3,7 milhões), simulações imobiliárias e aportes em empresas ligadas às esposas dos investigados.


O que dizem as defesas:


Fernando Bezerra Coelho: Afirma que todos os recursos foram corretamente destinados e que ainda não teve acesso integral aos autos.


Miguel e Fernando Filho: Em nota conjunta, classificam a operação como tendo "viés político" e alegam que parte dos fatos já foi arquivada anteriormente pelo STF.


Codevasf e Prefeitura de Petrolina: Declararam estar colaborando com as autoridades e que todas as obras foram executadas e as contas estão regulares.

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