Brasil contabiliza 16 mortes de políticos por período eleitoral, aponta pesquisa

Brasil contabiliza 16 mortes de políticos por período eleitoral, aponta pesquisa

A execução do ativista baiano Edvan Ribeiro, no último dia 19 de novembro, mostra como fica cada vez mais comum os cruéis assassinatos por briga pelo poder ou por ideologia no Brasil, como por exemplo o caso de Marielle Franco, vereadora que foi assassinada com 9 tiros quando voltava para casa na cidade do Rio de Janeiro.


Pesquisa divulgada pela Unirio, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, revela que a violência contra políticos já está presente muito antes da posse. Entre 1998 e 2016, foram 79 mortes de candidatos em campanha, uma média de 16 assassinatos por período eleitoral. Felipe Borba, cientista político e professor da universidade conta como chegou a esse número.


"Eu peguei a relação de todos os candidatos que foram substituídos por óbito e fui investigar o motivo desse óbito. E só inclui candidatos que há indícios e informações fortes de que houve um homicídio", conta.


Borba acrescenta ainda que a maioria das mortes ocorrem em eleições municipais, sendo 63 delas de candidatos a vereador e em cidades com menos de 50 mil habitantes. Além disso, todos os estados e tendências políticas contabilizaram mortes.


"Ou seja, morrem candidatos de esquerda, de centro e de direita. Ao todo foram contabilizadas mortes em 22 estados com cerca de 25 diferentes partidos", contabiliza.

O estado do Rio de Janeiro protagoniza o ranking das mortes de candidatos em campanha com 13 assassinatos, seguido de São Paulo, com 10 homicídios de políticos.


Durante a última eleição no Rio de Janeiro, em 2016, houve 5 mortes de candidatos em campanha, porém na pré-campanha foram assassinadas 13 pessoas, segundo dados do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral. Entre dezembro de 2015 e agosto de 2016, 20 pré-candidatos foram assassinados no Brasil. A maioria no estado do Rio de Janeiro.


Para além dos candidatos e pré-candidatos mortos, cerca de 90 prefeitos e vereadores em exercício foram assassinados no Brasil entre 2008 e 2018, segundo levantamento feito pelo Brasil de Fato a partir de dados públicos do TSE, o Datasus e por meio de notícias veiculadas pela imprensa.