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Centenária, Festa de Iemanjá volta a receber o público em 2023


Consolidada como a maior celebração da cultura afro-brasileira na Bahia, a Festa de Iemanjá, celebrada na próxima quinta-feira (2), completa 100 anos de realização pela Colônia de Pescadores do Rio Vermelho e terá programação organizada pela Prefeitura, por meio da Empresa Salvador Turismo (Saltur). O roteiro da festa, cujo tema deste ano será “Odoyá,100 anos de Festa e Reverência a Iemanjá”, começa já no dia 1º, com a entrega do “Presente de Oxumaré”, no Dique do Tororó, à meia-noite.


No dia 2, às 4h30, saindo do Terreiro de Ilê Oxumaré, na Vasco da Gama, o presente de Iemanjá deve chegar à praia de Santana, no Rio Vermelho, por volta das 5h, quando acontece a tradicional alvorada, permanecendo até as 16h. Em seguida, a oferta segue na embarcação “Rio Vermelho” para o “Buraco de Iaiá” que é a localização exata no mar, de um buraco em formato de concha, a 3 milhas náuticas da terra, onde as oferendas são depositadas.


De volta à terra – Enquanto isso, em terra, das 8h do dia 1º até as 18h do dia 2 de fevereiro, os pescadores da Colônia Z1, do Rio Vermelho, e seus colaboradores, organizam a Casa de Iemanjá e o Barracão, onde ficam a imagem principal e os balaios, conduzindo os fiéis em filas para depositar flores, oferendas e fé para a Rainha do Mar.


História – Nascida e consolidada como uma celebração quase que exclusivamente soteropolitana, a Festa de Iemanjá, como se conhece hoje, data de um século atrás. O dia 2 ainda não havia se estabelecido como data fixa, pois em alguns locais era celebrada desde dezembro, ou sequer se tratava de uma divindade marinha – na África e até mesmo dentro das comunidades afro-brasileiras, era uma festa destinada às divindades dos rios. Uma curiosidade é que os festejos da rainha do mar em Cuba, por exemplo, têm tradição semelhante à da Bahia atual.


Aos poucos, deixando a água doce, a tradição do dia 2 de fevereiro, essa sim, nasceu no Rio Vermelho e segue até os dias atuais. Ela surge quando pescadores locais resolvem ofertar à Rainha do Mar, já que naquele e nos anos anteriores, a dificuldade em encontrar peixes estava bastante grande.


“Acaba sendo uma memória ancestral do ser humano de cultuar os oceanos. Sempre precisamos dos oceanos para garantir a sobrevivência e desbravar novos mundos, desde o Egito antigo já havia toda essa relação do homem com o mar. E não somente na tradição africana, pois os católicos têm Nossa Senhora das Candeias, de Santana e outras divindades que possuem essa relação com o mar. No caso de Iemanjá, é a afirmação de uma etnia”, reflete o historiador Murilo Melo.


Ele defende a combinação entre tradição e modernidade, a exemplo das inúmeras tentativas de tornar a entrega do presente algo mais sustentável, na tentativa de não poluir as praias e o mar durante o ato de fé de baianos e turistas. “Iemanjá representa a fertilidade, a garantia do sustento dos pescadores, a vida, a proteção no imaginário religioso da cidade. Todas as festas e manifestações culturais são fluidas e vejo com muito bons olhos esse diálogo com a contemporaneidade, onde existe uma maior preocupação com o meio ambiente. Penso que é bastante pertinente essa reelaboração das oferendas nas festividades do nosso tempo”, finaliza.

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