'Objetivo dele era me matar'

'Objetivo dele era me matar', diz vítima de ataque homofóbico

Ainda se recuperando da tentativa de homicídio, quando foi espancado e baleado quatro vezes no último domingo (20) em Camaçari, por ter beijado o companheiro em um bar, o ajudante de cozinha Marcelo Macêdo, 33 anos, não tem dúvida: foi um policial militar o autor dos tiros. 


“O objetivo dele era me matar. Ninguém puxa a arma para assustar. Só tinha ele, o PM, armado”, declarou Marcelo, na manhã desta terça-feira (29). Logo após os tiros, Marcelo foi socorrido para o Hospital Geral de Camaçari (HGC), onde passou uma semana internado. No último sábado ele teve alta e somente na manhã de hoje resolveu falar pessoalmente sobre o assunto – anteriormente as declarações dele eram dadas por telefone ou através de amigos. 

No escritório de seu advogado, Marcelo falou com o CORREIO sobre o preconceito que quase o matou. Ela tinha acabado de dar um beijo no namorado em um bar quando foi agredido por três homens que já estavam no local, um deles o policial.


“Foi covardia deles. A gente não estava fazendo demais. Era só um carinho e um deles veio já gritando ‘você não se respeita, não? Aqui tem um monte de pais de família’ e começaram a agressão. Foi a hora que caí. Depois me levantei e quando virei, o policial puxou a arma da camisa e atirou”, contou a vítima. Os três acusados se apresentaram à polícia


Apesar de ter conhecimento de casos de agressões ao público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), Marcelo disse que nunca havia sofrido um ataque homofóbico.


Além de Marcelo e os três responsáveis pelo ataque, entre eles o PM, a delegada Thais Siqueira, titular da 18ª Delegacia (Camaçari), só ouviu outras duas pessoas. “São funcionários do estabelecimento. Mas ela disse que outras testemunhas ainda serão interrogadas”, declarou o advogado de Marcelo, João Vinicius Queiroz. 


Queiroz também disse que o policial foi o autor dos disparos que quase matou seu cliente. “Quando se apresentou, o próprio policial confessou que atirou. Além disso, tem testemunhas e as imagens”, disse o advogado.





Fonte: CORREIO