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'A Odisseia' traz uma jornada épica, deslumbrante e reflexiva sobre escolhas e consequências

19 de jul.
2 min de leitura


A Odisseia tem mesmo o tamanho de um épico, mas seu centro é em grande porção a vergonha do protagonista de seus atos realizados, com sua responsabilidade autoimposta se tornando um grande fardo. Nolan estrutura a narrativa de forma parcialmente não linear, lembrando a estrutura do poema original, mas diferente dela, alternando Ítaca, Tróia e a viagem marítima como se o retorno de Odisseu não fosse apenas geográfico, mas mental, mostrando que nenhum herói escapa das próprias escolhas. O longa soa muito bem também como algo reflexivo, sobre a descrença e a crença de Odisseu nos Deuses e sobre desafia-los ou não e acorda também as consequências das escolhas de Odisseu.


Pensar em A Odisseia apenas como um “blockbuster de mitologia grega” talvez seja uma forma simples demais de entrar no que Christopher Nolan tenta fazer aqui. Claro, estão lá o Cavalo de Troia, o Ciclope, Circe, Calipso, as sereias, o submundo, Penélope cercada por pretendentes e Odisseu tentando voltar para casa depois de anos de guerra. Mas o que realmente interessa ao diretor não é só transformar Homero em espetáculo de grande escala, apesar de, claro, esse verniz existir, e sim aproximar o mito de um realismo físico que torna a obra mais próxima dos personagens do que da lenda. Ao assistir o filme , a sensação é de que realmente tudo aquilo aconteceu de verdade.


O longa ainda é um espetáculo visual incrível, e é impressionantemente gravado sem recursos de computação gráfica para criar por exemplo cenas e paisagens, é cinema na sua forma mais pura e sua essência. Com um elenco estrelado, as atuações são espetaculares e não deixa o filme se perder em nenhum momento em seus diálogos , muito menos nas cenas de ação que são incríveis.



Adaptações fortes não são aquelas que “respeitam” o original como peça intocável, e sim aquelas que encontram uma maneira própria de fazer o original voltar a falar. A Odisseia de Nolan tem suas próprias escolhas, todas muito boas na minha visão, e ainda se mantém como uma aventura homérica de um homem tentando regressar para sua família.


O filme não perde a essência descrita por Homero, mas traz algo mais real para as telonas, tirando da imaginação de cada um que já leu o poema e passando para um realismo incrível. A Odisseia” demonstra que Nolan encontrou uma maneira apropriada de adaptar Homero ao seu estilo respeitando as raízes da obra.



O filme preserva a dimensão épica da jornada, mas Odisseu recebe um tratamento muito mais humano. Cada obstáculo superado aprofunda o retrato de um homem que compreende — tarde demais — que astúcia e glória não anulam a responsabilidade pelos próprios atos. O retorno para casa ganha, assim, um novo significado, com o herói finalmente enfrentando aquilo de que passou toda a viagem tentando escapar.

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