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'A Última Casa' com Wagner Moura e Greta Lee é ruim, uma perda de tempo





Aclamado pelo público da Netflix, talvez por atiçar a curiosidade do público, e massacrado pela crítica especializada, 'A Última Casa' da Netflix é de verdade um filme ruim . E que coisa ruim.


Não daquele ruim divertido, que vai desandando até atingir uma espécie de grandeza involuntária e pelo menos rende assunto depois. A Última Casa é ruim de um jeito mais frustrante, porque, em tese, existe um bom filme enterrado ali. Talvez até desse um ótimo filme nas mãos de realizadores mais competentes, como aconteceu com Um Lugar Silencioso, de John Krasinski. A premissa funciona, os protagonistas são excelentes e a situação inicial permite fazer muito com relativamente pouco.


O filme consegue desperdiçar tudo isso.

A ideia é simples. Uma família acorda e descobre que não consegue mais sair de casa. Alguma coisa aconteceu do lado de fora, embora ninguém saiba exatamente o quê. Não há perspectiva concreta de resgate. A casa deixa de ser proteção e vira prisão. Comida, água, espaço, convivência e, principalmente, tempo passam a ser problemas. É uma premissa que praticamente escreve sozinha o primeiro ato de um bom thriller claustrofóbico. O problema começa quando A Última Casa precisa decidir o que fazer com ela.


Durante algum tempo, existe curiosidade genuína sobre o que está acontecendo. É provavelmente a melhor coisa que o filme consegue produzir. Não sabemos mais do que os personagens e existe algo naturalmente angustiante na impossibilidade de olhar além daquele pequeno universo. O confinamento poderia servir para explorar a deterioração daquela família.


Poderia ser um filme sobre sobrevivência, quem sabe até uma alegoria sobre o que passamos durante a pandemia sem citá-la diretamente, porque ninguém quer isso. Poderia investigar a paranoia provocada pelo isolamento, abraçar o terror, caminhar para uma ficção científica cerebral ou usar tudo isso para falar de família, egoísmo ou da necessidade humana de encontrar algum sentido para aquilo que não compreende. O que fosse. O filme quer fazer todas essas coisas e não faz direito nenhuma delas.


Falta uma sensação convincente de passagem do tempo. Falta materialidade, desgaste, improvisação, transformação. O salto temporal ainda cria uma consequência perigosa: quanto mais tempo passa, mais perguntas surgem, e o filme não tem respostas satisfatórias para muitas delas. A suspensão da descrença é uma espécie de contrato entre filme e espectador. Eu aceito o absurdo que você está propondo desde que você me dê um universo minimamente coerente dentro desse absurdo. Mas no fim das contas o filme é uma verdadeira perca de tempo embora Wagner Moura e Greta Lee coloquem excelentes momentos em suas interpretações. Tinha tudo para dar certo e conseguiu desperdiçar tudo.

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