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BYD entra na “lista suja” do trabalho escravo após caso em obra na Bahia



A montadora chinesa BYD passou a integrar a chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Governo Federal, que reúne empregadores envolvidos em casos de trabalho em condições análogas à escravidão.


A inclusão ocorreu após o resgate, em dezembro de 2024, de 220 trabalhadores chineses que atuavam na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.


De acordo com as autoridades, os trabalhadores viviam em alojamentos precários, sem condições adequadas de higiene e conforto, e eram submetidos a jornadas exaustivas, sem descanso semanal. Também foram identificadas práticas como retenção de passaportes e vigilância por seguranças armados, que restringiam a liberdade dos funcionários.


O caso foi acompanhado pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), que apontou ainda irregularidades na entrada dos trabalhadores no país, com vistos incompatíveis com as atividades exercidas.


Na época, a BYD informou que as irregularidades foram cometidas pela empresa terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda e anunciou o rompimento do contrato. A montadora também declarou que não tolera violações à legislação brasileira e transferiu parte dos trabalhadores para hotéis da região.


Em 2025, o MPT-BA firmou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora e empresas envolvidas, após ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.


A “lista suja” reúne nomes após conclusão de processo administrativo, sem possibilidade de recurso, e normalmente mantém os empregadores por até dois anos. Criado em 2004, o cadastro é considerado um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no Brasil.


Segundo dados do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados de condições semelhantes à escravidão no país desde 1995.

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