Julgamento dos sete policiais militares acusados de matar jovem em Salvador é adiado; vítima teve corpo decapitado e carbonizado
- Da Redação

- 27 de abr.
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O julgamento dos sete policiais militares acusados de matar Geovane Mascarenhas de Santana, em 2014, foi adiado e não ocorrerá mais nesta segunda-feira (27), em Salvador. A nova data definida pela Justiça é 17 de junho, no Fórum Ruy Barbosa.
De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o adiamento ocorreu após a defesa dos acusados solicitar acesso a documentos que não estavam disponíveis no processo digital, já que parte do material tramita em formato físico. O pedido foi aceito para garantir o direito à ampla defesa e evitar questionamentos futuros sobre a validade do julgamento. A previsão é de que o júri tenha duração de três dias.
Os sete policiais vão a júri popular acusados de homicídio qualificado, por motivo torpe e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), eles também respondem por roubo qualificado e, com exceção de um dos acusados, por ocultação de cadáver.

O crime ocorreu no dia 2 de agosto de 2014. Conforme a denúncia, Geovane foi abordado por policiais militares enquanto pilotava uma motocicleta na região da Calçada. Ele foi colocado na viatura e levado para outro local, onde teria sido assassinado.
Ainda segundo as investigações, os policiais atearam fogo no corpo da vítima e o abandonaram no Parque São Bartolomeu, no subúrbio ferroviário de Salvador. O corpo foi encontrado em estado extremo de violência, carbonizado e com sinais de mutilação.
O Ministério Público sustenta que o jovem foi escolhido de forma aleatória e morto sem qualquer possibilidade de defesa. Além disso, os agentes teriam roubado a motocicleta e o celular da vítima.
Durante a apuração, inconsistências nos depoimentos dos policiais e dados de geolocalização foram fundamentais para esclarecer o caso. Mesmo com o GPS da viatura danificado, investigadores conseguiram reconstituir o trajeto por meio de sistemas de comunicação da própria polícia, identificando divergências entre os registros oficiais e os dados técnicos.
À época, os policiais alegaram que abordaram Geovane por ele ter características semelhantes às de um suspeito de assalto e que o teriam liberado em seguida, versão contestada pelas investigações.
Três dos acusados chegaram a ser presos em 2014, mas foram soltos após o cumprimento de prisão provisória. O caso agora aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.




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