"Feito Pipa" encanta, emociona e mostra o poder do amor e afeto

Com um protagonista absolutamente carismático, “Feito Pipa”, de Allan Deberton, encontra sua força na construção do afeto entre os seus personagens, algo fundamental para que a audiência sinta o peso dos eventos e se importe com o futuro daquela criança.
A trama que concorre a uma vaga no Oscar , acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino de 11 anos que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) na área rural. A relação de amor e afeto entre avó e neto é tão intensa no filme que fica quase impossível não se emocionar, principalmente com as interpretações fortes, alegres e dramáticas dos protagonistas.
O longa traz cenas que cortam o nosso coração, como, por exemplo, o distanciamento entre pai e filho e os problemas de adulto que Gugu tenta enfrentar sozinho, além de também não ser aceito pelo pai como ele é.
Porém, o cerne emocional do longa está mesmo na relação entre Gugu e sua avó Dilma. E quando a idosa começa a ter problemas de memória, o mundo do garoto entra em colapso. Apesar de o filme abordar a sexualidade de Gugu, já entendida por ele, mas sem fazer disso a principal questão, o longa ainda fala sobre o desprezo do pai, do poder das amizades em momentos difíceis e felizes e da necessidade de ser resiliente, da coragem que ele tem em ser quem ele quer ser.
Mas o ponto principal do filme é mesmo essa forte relação de amor e afeto entre avó e neto. “Feito Pipa” encontra no contraste irreverente entre uma avó e seu neto a força de uma história delicada, divertida em alguns momentos e profundamente dolorosa em outros. Os dois vivem em harmonia, cercados de amor e cumplicidade, mas enfrentam movimentos opostos: enquanto um tenta esquecer as próprias dores, a outra luta para continuar se lembrando. É nessa relação que o filme constrói sua maior beleza.
Ao mostrar a beleza de uma infância criada pela avó, livre de tantas imposições, o filme lembra que amar alguém também é permitir que essa pessoa exista como é. E talvez seja isso que torne tão difícil aceitar quando o fio que une duas vidas começa a se desfazer. É um filme que definitivamente nos comove muito pela delicadeza e sensibilidade com que se constrói essa história.
De modo que, ao final da sessão, “Feito Pipa” parece querer fazer com que a audiência acredite num final feliz, mesmo que quase tudo que tenhamos visto até os créditos aponte no caminho contrário. Talvez quiseram nos poupar de um final que não teria como ser outro, a não ser um fim triste e enlutado.





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