Governo da Bahia demole terreiro de candomblé em Salvador e gera revolta de comunidade religiosa
- Da Redação

- 12 de jun.
- 2 min de leitura

Um terreiro de candomblé foi demolido nesta segunda-feira (9) dentro do Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador, por ação coordenada do Governo da Bahia, através do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). A medida gerou forte reação da comunidade religiosa, que afirma não ter sido avisada previamente e denuncia desrespeito ao sagrado.
O terreiro Ilê Axé Oya Onira'D funcionava no local há cerca de oito anos. A ialorixá Naiara de Oya, responsável pelo espaço, declarou que apresentou ao Inema um documento de compra e venda do terreno desde a primeira notificação recebida. “Escritura não existe porque tudo aqui é considerado invasão, mas temos um documento informal de compra e venda que foi entregue ao órgão”, disse.
Religiosos relataram que objetos sagrados foram deixados no chão, do lado de fora da construção demolida. “O sagrado tem um tempo, um preparo. Não pode ser removido dessa forma. É uma violência contra nossa ancestralidade”, afirmou Naiara.
Reações e denúncias
O conselheiro do Parque de Pituaçu, Gabas Machado, disse que a situação será denunciada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e à Delegacia de Crimes Raciais e Intolerância Religiosa. A comunidade religiosa também avalia entrar com ações judiciais contra a demolição.
Inema justifica ação
Em nota, o Inema informou que o terreiro ocupava irregularmente uma Área de Proteção Permanente (APP) e que a estrutura representava riscos ao meio ambiente, como contaminação do solo e uso inadequado de recursos naturais. O órgão declarou que notificou os ocupantes em janeiro de 2025 e que a ação visou preservar a vegetação nativa e implantar uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE).
Segundo o instituto, o Parque de Pituaçu é uma Unidade de Conservação com normas específicas de uso e que comunidades tradicionais podem ocupar espaços desde que em conformidade com a legislação ambiental.
A ação foi realizada em conjunto com diversos órgãos do Governo da Bahia, como a Casa Civil, Saeb, Sema, Sepromi, Conder, Polícia Militar e Procuradoria Geral do Estado.
Comunidade cobra reparação
Lideranças religiosas e de movimentos negros afirmam que a falta de diálogo e a forma como a demolição ocorreu representam uma afronta à liberdade religiosa e à preservação da cultura afro-brasileira. Até o momento, o Governo do Estado não anunciou qualquer medida de reparação ou diálogo com os afetados.



