Após 16 anos na Câmara, Waldenor Pereira, do PT, fica fora da lista de eleitos e encerra sequência de quatro mandatos

A eleição de 2026 marcou uma mudança importante na trajetória política de Waldenor Pereira (PT). Depois de quatro mandatos consecutivos como deputado federal pela Bahia, o político não conseguiu renovar a vaga na Câmara dos Deputados e terminou a disputa na condição de suplente.
Waldenor foi eleito pela primeira vez para a Câmara Federal em 2010, assumindo o mandato em fevereiro de 2011. Desde então, foi reeleito em 2014, 2018 e 2022. Com o resultado de 2026, são 16 anos consecutivos de representação na Câmara dos Deputados, período que termina, neste momento, com a não obtenção de uma das 39 cadeiras destinadas à Bahia.
A derrota eleitoral, entretanto, não significa o desaparecimento de sua força nas urnas. Waldenor foi novamente o candidato a deputado federal mais votado em Vitória da Conquista, principal base de sua trajetória política, com 33.269 votos, correspondentes a 17,14% dos votos válidos do município. O resultado ficou bem à frente do segundo colocado na cidade, a deputada federal eleita Doutora Raissa Soares (PL), que recebeu 15.608 votos.
Uma trajetória de crescimento, seguida por duas quedas
Os números das eleições mostram que a perda de votos não ocorreu desde o início de sua trajetória como deputado federal. Pelo contrário.
Na primeira eleição para a Câmara, em 2010, Waldenor recebeu 87.930 votos. Quatro anos depois, ampliou sua votação para 114.965 votos, crescimento de aproximadamente 31%.
Em 2018, alcançou seu melhor resultado eleitoral para deputado federal: 121.278 votos, ficando em 11º lugar entre os candidatos ao cargo na Bahia naquele pleito.
A partir de então, começou uma trajetória de redução da votação. Em 2022, recebeu 113.110 votos, 8.168 a menos que quatro anos antes. Ainda assim, foi eleito para o quarto mandato consecutivo.
Em 2026, a queda foi novamente registrada. Waldenor terminou a eleição com 96.378 votos, uma redução de 16.732 votos em relação a 2022, equivalente a aproximadamente 14,8%.
Comparado ao seu melhor resultado, obtido em 2018, o parlamentar perdeu 24.900 votos, uma redução de aproximadamente 20,5%.

Os dados mostram, portanto, dois momentos distintos: crescimento entre 2010 e 2018 e queda nas duas eleições seguintes.
Conquista continua sendo sua principal base
Apesar da redução da votação estadual, Vitória da Conquista continuou concentrando uma parcela significativa do eleitorado de Waldenor.
Dos 96.378 votos obtidos em toda a Bahia em 2026, 33.269 vieram de Vitória da Conquista, o equivalente a aproximadamente 34,5% de toda a sua votação estadual. Ele recebeu votos em 348 dos 417 municípios baianos, mas Conquista permaneceu disparadamente como sua principal cidade eleitoral.
O desempenho na cidade também mostra uma particularidade da eleição deste ano: Waldenor foi o mais votado para deputado federal no município, mas não conseguiu ser eleito para a Câmara. Isso ocorre porque a eleição para deputado federal é proporcional e considera a distribuição de vagas a partir da votação dos partidos e federações em todo o estado.
Assim, o resultado de Conquista não foi suficiente para compensar a votação obtida pelos demais candidatos e pela federação em âmbito estadual.
Uma carreira marcada por sucessivas eleições
A trajetória eleitoral de Waldenor começou antes da Câmara Federal. Ele foi eleito deputado estadual em 2002 e 2006. Em 2010 chegou à Câmara dos Deputados e permaneceu no cargo por quatro legislaturas consecutivas. Também ocupou funções de liderança partidária e integrou comissões importantes durante sua passagem pelo Congresso.
Antes da carreira parlamentar, Waldenor foi reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) por dois mandatos, entre 1994 e 2002, e construiu boa parte de sua trajetória pública em Vitória da Conquista e na região Sudoeste.
Em 2024, disputou a Prefeitura de Vitória da Conquista pelo PT e terminou a eleição em segundo lugar, com 52.947 votos. Em 2026, voltou a disputar uma vaga para deputado federal, mas não conseguiu repetir o desempenho que havia garantido sua eleição nas quatro disputas anteriores.
O futuro político do petista dependerá, agora, tanto das articulações da próxima legislatura quanto da possibilidade de abertura de uma vaga na bancada da federação, situação que poderia permitir seu retorno à Câmara durante o mandato.





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