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Bahia é 2º estado com mais registros na nova ‘lista suja’ do trabalho escravo; Conquista tem ocorrência

há 8 minutos
3 min de leitura

A Bahia aparece na segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de novos registros na atualização da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na terça-feira (6). Dos 82 registros incluídos no cadastro em todo o país, sete são de empregadores com atuação no estado.


A Bahia ficou atrás apenas de Minas Gerais. As fiscalizações que deram origem aos registros resultaram no resgate de 10 trabalhadores submetidos a condições consideradas análogas à escravidão em diferentes municípios baianos.


Os sete registros envolvem cinco pessoas físicas e duas empresas. As situações foram identificadas tanto em áreas urbanas quanto rurais, abrangendo atividades como trabalho doméstico, construção civil, produção de carvão vegetal, cultivo de cacau e criação de gado.



Caso de trabalho doméstico em Vitória da Conquista


Entre as ocorrências identificadas na Bahia estão dois casos relacionados ao trabalho doméstico, registrados nos municípios de Vitória da Conquista e Poções.


Segundo as informações da fiscalização do trabalho, as ocorrências fizeram parte das ações que resultaram na inclusão dos empregadores no cadastro nacional.


O caso de Vitória da Conquista chama atenção por estar entre as ocorrências registradas em área urbana. A presença de situações de trabalho análogo à escravidão em residências também foi destacada pelos auditores como um indicativo de que esse tipo de violação não está restrito às atividades rurais.


Condições encontradas na Região Metropolitana


Na Região Metropolitana de Salvador, foram identificados casos em Camaçari e Lauro de Freitas.


Em Catu de Abrantes, distrito de Camaçari, trabalhadores que atuavam na construção de um condomínio de casas estavam alojados de forma improvisada dentro dos próprios imóveis em construção. Conforme a fiscalização, não havia separação adequada entre os espaços utilizados como dormitórios e o canteiro de obras.


Em Lauro de Freitas, dois trabalhadores foram resgatados de um galpão utilizado para ensacamento, armazenamento e expedição de carvão vegetal.


De acordo com os auditores, os trabalhadores não possuíam registro formal nem haviam realizado exames médicos ocupacionais. Eles também dormiam em redes ou em lençóis colocados diretamente no chão, em espaços improvisados.


A fiscalização apontou ainda problemas relacionados ao fornecimento de água filtrada, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs), falta de fardamento e inexistência de medidas consideradas adequadas para o gerenciamento dos riscos da atividade.


Ocorrências também foram identificadas no interior


Na zona rural, os casos registrados pela fiscalização ocorreram em propriedades destinadas ao cultivo de cacau, nos municípios de Itacaré e Itajuípe, e em uma propriedade de criação de gado, em Itapicuru.


Para Liane Durão, auditora-fiscal do Trabalho e coordenadora do projeto de combate ao trabalho análogo à escravidão na Bahia, o perfil das ocorrências reforça que o problema também está presente em atividades urbanas.


“A maioria dos casos baianos desta atualização ocorreu no meio urbano, em residências, em uma obra e em um galpão. Isso mostra que o trabalho análogo ao de escravizado não está só no campo, como por muito tempo se pensou”, afirmou.


Mais de 550 trabalhadores envolvidos em casos no país


Em âmbito nacional, a nova atualização reúne 82 registros referentes a 80 empregadores, distribuídos por 21 unidades da Federação.


As irregularidades foram identificadas em fiscalizações realizadas entre 2024 e 2026 e envolvem 553 trabalhadores.


Entre as atividades com maior número de inclusões estão a criação de bovinos para corte, o trabalho doméstico, a produção de carvão vegetal, o cultivo de café e a construção de edifícios.


Como funciona a “lista suja”


O Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, existe desde 2003.


A inclusão de um empregador ocorre somente após a conclusão de processo administrativo, com garantia do direito de defesa. Os nomes permanecem no cadastro por dois anos.


Nesta atualização, 151 registros foram retirados após o cumprimento do período de permanência previsto.


As denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, ferramenta da Secretaria de Inspeção do Trabalho desenvolvida em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).


O cadastro tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações de fiscalização e permitir que a sociedade conheça empregadores responsabilizados administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

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