top of page

De Wagner aos federais: votação de aliados expõe força eleitoral de Sheila em Conquista

há 1 dia
5 min de leitura


A eleição de 2026 deixou um dado político relevante em Vitória da Conquista: a prefeita Sheila Lemos (União Brasil) conseguiu ampliar a presença de seu grupo nas disputas proporcionais e, especialmente, aumentar a votação de alguns dos candidatos apoiados pela administração municipal. O resultado mais expressivo foi o de Wagner Alves, que alcançou 33.397 votos para deputado estadual na cidade — 17,27% dos votos válidos —, mas também houve desempenho significativo de nomes apoiados pelo grupo na disputa para deputado federal.


A comparação com 2022 ajuda a dimensionar essa mudança. Naquele ano, um dos principais nomes apoiados pelo grupo de Sheila para a Câmara dos Deputados foi Elmar Nascimento, que recebeu 7.189 votos em Vitória da Conquista e foi eleito. Para a Assembleia Legislativa, Tiago Correia, apoiado pelo grupo, obteve 10.793 votos na cidade e também conquistou a reeleição. Na época, Sheila havia declarado que apoiaria candidatos ligados ao então grupo de ACM Neto.


Em 2026, porém, o principal investimento político da prefeita foi Wagner Alves. O resultado foi muito superior ao registrado pelo candidato estadual apoiado pelo grupo em 2022: Wagner chegou a 33.397 votos, mais que o triplo dos 10.793 obtidos por Tiago Correia quatro anos antes. Apesar da votação, Wagner não conseguiu uma cadeira na Assembleia porque ficou como suplente no resultado estadual, em razão da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.


O desempenho dos candidatos federais ligados ao grupo também mostra uma atuação mais diversificada. Em Vitória da Conquista, Léo Prates recebeu 3.645 votos e foi eleito deputado federal; Ditinho Avivip teve 2.721 votos na cidade e também conquistou uma cadeira; Roberta Roma alcançou 8.522 votos e foi eleita, enquanto Doutora Raissa Soares obteve 15.608 e também garantiu mandato. Os resultados estaduais confirmaram as eleições de Léo Prates, Ditinho, Roberta Roma e Raissa.


Outro aspecto relevante é que o grupo de Sheila conseguiu eleger nomes que poderão manter interlocução política com o município durante o próximo mandato. Em declaração após a eleição, a própria prefeita citou Ditinho, Léo Prates, Roberta Roma e Raissa Soares entre os deputados eleitos ou reeleitos que possuem relação política com Vitória da Conquista. Sheila afirmou que pretende recorrer a esses parlamentares para buscar apoio para demandas da cidade.


Esse cenário ganha importância porque Vitória da Conquista perdeu, em 2026, a representação direta de Waldenor Pereira na Câmara dos Deputados. O petista recebeu 33.269 votos no município e 96.378 em toda a Bahia, mas terminou como suplente. Com isso, os deputados federais eleitos que possuem relação política com a cidade passam a ocupar um espaço importante na interlocução institucional, ainda que não sejam necessariamente representantes exclusivos de Conquista.


Da Prefeitura à Câmara: a base de Sheila


A força de Sheila também pode ser observada na política municipal. Nas eleições de 2024, o União Brasil elegeu quatro vereadores — Diogo Azevedo, Dudé, Adinilson Pereira e Bibia — e formou uma das principais bancadas da Câmara. Outros nomes ligados ao campo político da prefeita também conquistaram cadeiras, embora as alianças partidárias tenham sofrido alterações ao longo do mandato.


Depois da eleição de 2026, a própria Sheila reconheceu a necessidade de reorganizar sua relação com o Legislativo. Em entrevista após o pleito, afirmou que, encerrado o período eleitoral, seria necessário “reorganizar a casa”, em referência ao grupo governista e às relações com os vereadores.


O resultado, portanto, não significa que Sheila tenha controle absoluto da Câmara ou que todos os vereadores aliados permaneçam no mesmo campo. Mas demonstra que a prefeita continua dispondo de uma estrutura política relevante no município e, agora, de uma rede ampliada de deputados estaduais e federais com os quais pretende manter diálogo.


Um avanço do centro-direita em Vitória da Conquista?


Outro aspecto que chama atenção é o comportamento do eleitorado conquistense nas eleições proporcionais. Sheila está politicamente posicionada no campo de centro-direita, vinculada ao União Brasil, e seu grupo apresentou candidatos de diferentes legendas desse espectro.


Em 2026, entre os deputados federais eleitos mais votados em Conquista aparecem Raissa Soares e Roberta Roma, ambas do PL, além de Léo Prates, do Republicanos, e Ditinho Avivip, do União Brasil. Juntos, esses quatro candidatos somaram 30.496 votos na cidade.


Isso não significa, por si só, que todos esses votos possam ser classificados como “votos de Sheila”. Cada candidato possui sua própria trajetória, eleitorado e alianças. O dado relevante é outro: o grupo político da prefeita conseguiu participar de uma parcela significativa da votação destinada a candidatos identificados com o centro-direita e conseguiu transformar parte desse apoio em mandatos estaduais e federais.


A eleição também mostrou que o eleitorado de Conquista continua bastante dividido. Waldenor Pereira foi o deputado federal mais votado na cidade, com 33.269 votos, enquanto, na disputa estadual, Wagner Alves liderou com 33.397, seguido por Zé Raimundo, do PT, com 27.715, e Fabrício Falcão, do PCdoB, com 21.456.


Portanto, não se trata de uma substituição da esquerda pela direita no município. O que os números indicam é uma disputa mais equilibrada entre diferentes campos políticos, com a centro-direita conseguindo ampliar sua capacidade de eleger representantes e de construir uma rede política fora dos limites municipais.


O contraste com 2022


A diferença mais significativa está na escala da votação do principal candidato de Sheila. Em 2022, Tiago Correia recebeu 10.793 votos para deputado estadual em Conquista. Em 2026, Wagner Alves chegou a 33.397. O crescimento foi de 209,4%.


Na eleição de 2022, Elmar Nascimento teve 7.189 votos para deputado federal no município. Em 2026, caiu para 865, mostrando que a transferência de votos entre eleições não é automática nem mesmo dentro de um mesmo grupo político. Ao mesmo tempo, Léo Prates cresceu de 1.132 para 3.645 votos.


É justamente essa combinação que torna o resultado de 2026 diferente: Sheila não concentrou sua força em apenas um nome. Seu principal candidato estadual teve uma votação expressiva, enquanto outros nomes do seu arco político conseguiram conquistar ou renovar mandatos na Câmara dos Deputados.


O que fica para 2028


O resultado de 2026 coloca Sheila em uma posição diferente daquela observada na eleição anterior. Em 2022, os principais candidatos apoiados por seu grupo foram eleitos, mas com votações locais muito menores. Quatro anos depois, Wagner tornou-se o candidato mais votado para deputado estadual em Vitória da Conquista, enquanto aliados do grupo chegaram à Câmara dos Deputados.


Ao mesmo tempo, a prefeita terá de administrar uma equação mais complexa. Wagner não conseguiu transformar os 33.397 votos locais em mandato estadual, e a relação com parte da bancada municipal precisará ser reorganizada. A própria Sheila reconheceu publicamente essa necessidade.


O resultado de 2026, portanto, não permite afirmar que Sheila controla o eleitorado de Vitória da Conquista, mas fornece um indicador concreto de crescimento da sua capacidade de mobilização política. O grupo saiu das urnas com um candidato estadual que liderou a votação municipal, quatro nomes federais de sua esfera política eleitos ou reeleitos e uma rede de interlocução que poderá ser utilizada para buscar recursos e articulações para o município.


Mais do que uma simples avaliação da eleição de 2026, esse desempenho passa a ser um dos elementos que deverão pesar na reorganização do cenário político de Vitória da Conquista para 2028.

Feira da Diversidade
bottom of page