Ex-comandante do 24º BPM é denunciado por assédio sexual e moral por major e soldadas em Brumado
- Da Redação

- 28 de abr.
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Piadas de cunho sexual, elogios ao corpo e convites inadequados foram denunciados por uma major e duas soldadas da Polícia Militar ao Ministério Público da Bahia (MPBA) e à Corregedoria da PM contra o ex-comandante do 24º Batalhão (Brumado), tenente-coronel Élson Cristóvão Santos Pereira. As acusações, que também incluem assédio moral, chegaram às instituições em novembro de 2024. Em janeiro deste ano, a PM instaurou uma sindicância para apurar os fatos.
Esse é o segundo caso de assédio envolvendo membros da Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia em apenas seis meses. Em outubro passado, o ex-delegado da 28ª Delegacia (Nordeste de Amaralina), Antônio Carlos Magalhães Santos, foi denunciado por quatro agentes e exonerado do cargo.
O Portal CORREIO teve acesso exclusivo aos depoimentos prestados pelas policiais ao MPBA. De acordo com os relatos, os assédios começaram em março de 2024 e ocorriam, inclusive, na presença de outros policiais. As vítimas contaram que o comandante fazia elogios constrangedores às suas pernas, coxas e lábios, além de insistir em convites para encontros pessoais. Quando recusado, partia para desqualificações públicas e assédio moral.
Um dos relatos mais graves envolve uma major, coordenadora de Suporte Operacional, que relatou ter sido chamada de "meu amor proibido" pelo então comandante. A major contou que os assédios ocorreram tanto dentro do quartel quanto em eventos externos. Uma soldada também relatou ter sido alvo de comentários lascivos sobre seus lábios na frente de colegas, enquanto outra descreveu um convite inapropriado feito durante um curso de capacitação.
As denúncias também apontam indícios de corporativismo dentro da corporação. Segundo a major, após os relatos circularem em grupos de mensagens, o subcomandante Marcelo Souza Lima sugeriu "tirar o assunto do tempo", minimizando os acontecimentos. A vítima afirma que o subcomandante testemunhou episódios de assédio.
Após ouvir os relatos, a promotora Daniela de Almeida determinou o envio das denúncias à Corregedoria da PM para adoção das providências cabíveis, considerando indícios de crime militar. A Corregedoria abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em janeiro deste ano.
Segundo a advogada Tayanne Correia, que representa as vítimas, todas enfrentam traumas psicológicos em consequência dos abusos. Correia critica a cultura de impunidade e o corporativismo dentro das instituições militares, apontando que vítimas de assédio ainda enfrentam a inversão de culpa e ameaças veladas que impactam suas carreiras.
O tenente-coronel Élson Pereira foi exonerado do comando do 24º BPM em dezembro de 2024 e, no mesmo dia, nomeado para a Coordenadoria Técnica do Departamento Pessoal da PM. Procurado pela reportagem, o oficial não se manifestou diretamente, apenas indicou que as informações sobre o caso deveriam ser solicitadas ao Departamento de Comunicação Social da PM (DCS/PMBA).
O CORREIO também solicitou informações à Polícia Militar sobre o número de denúncias de assédio sexual e moral nos últimos quatro anos, bem como os desdobramentos dos processos, mas não obteve resposta até o momento.



