Gabriela Garrido denuncia violência política de gênero e Câmara de Conquista anuncia apuração

A vereadora Gabriela Garrido (PV) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, nessa quarta-feira (7), para denunciar o que classificou como um novo episódio de violência política de gênero. Segundo a parlamentar, ataques e comentários direcionados a ela foram divulgados em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens após sua participação nas eleições de 2026.
Gabriela afirmou que este seria o segundo episódio dessa natureza enfrentado por ela em pouco mais de um ano de mandato. De acordo com o relato da vereadora, o caso desta vez teria um agravante: as manifestações teriam partido de um servidor da própria Câmara Municipal.
“Pela segunda vez em pouco mais de um ano de mandato, fui vítima de violência política de gênero. Dessa vez, com um agravante que me causa ainda mais indignação: os ataques partiram de um servidor desta própria Casa Legislativa”, declarou a vereadora.
Durante o pronunciamento, Gabriela ressaltou que divergências políticas fazem parte do processo democrático, mas defendeu que críticas não devem se transformar em ataques pessoais relacionados à condição de mulher.
“A política é feita de divergências. Podemos pensar diferente, defender projetos diferentes e ocupar lados diferentes. O que não podemos aceitar é que uma mulher seja atacada e desrespeitada por ocupar o seu espaço”, afirmou.
Candidatura a deputada federal
O episódio ocorre após Gabriela Garrido ter disputado uma vaga de deputada federal pela Bahia nas eleições de 2026. A candidata, que concorreu pelo Partido Verde (PV), recebeu 10.884 votos e ficou como suplente. Os dados da apuração apontam que o mesmo número de votos foi registrado por ela em Vitória da Conquista.
A candidatura de Gabriela foi lançada ao longo de 2026, após sua eleição para a Câmara Municipal de Vitória da Conquista em 2024, quando recebeu 2.301 votos.
Câmara anuncia apuração
Após a denúncia, a Mesa Diretora e os membros da Câmara Municipal divulgaram uma nota de repúdio aos ataques direcionados à vereadora.
No documento, assinado pelo presidente Ivan Cordeiro, a Câmara afirmou que as ofensas teriam ocorrido nas redes sociais e aplicativos de mensagens e estariam relacionadas à candidatura de Gabriela ao cargo de deputada federal.
A Casa também confirmou que recebeu a denúncia de que os ataques teriam partido de um servidor do próprio Poder Legislativo e afirmou que irá “apurar os fatos com absoluto rigor”.
A Câmara destacou ainda que divergências políticas e de ideias fazem parte do debate democrático, mas que condutas intimidatórias, difamatórias ou desrespeitosas não devem ser confundidas com o exercício do direito à crítica.
Autor não foi identificado oficialmente
Até o momento, a Câmara Municipal não divulgou oficialmente o nome do servidor apontado na denúncia, nem identificou o parlamentar ao qual ele estaria vinculado.
Durante seu pronunciamento, Gabriela teria mencionado as iniciais do suposto autor das manifestações e relatado que se trataria de um servidor comissionado. A informação, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela Câmara, que informou apenas que a denúncia envolve um servidor do Legislativo e que os fatos serão apurados.
A vereadora afirmou que não pretende se calar diante do episódio e declarou que continuará exercendo sua atividade política.
A Câmara Municipal, por sua vez, manifestou solidariedade a Gabriela Garrido e à Bancada Feminina e reafirmou o compromisso de combater situações de violência política contra mulheres no âmbito do Legislativo.





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