Jerônimo Rodrigues diz que fala sobre eleitores de Bolsonaro foi tirada de contexto e pede desculpas
- Da Redação

- 6 de mai.
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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que foi tirado de contexto ao declarar que eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deveriam ser levados para a "vala". A fala, feita na última sexta-feira (2), em América Dourada, repercutiu nacionalmente e gerou críticas da oposição.
Durante visita às obras do Teatro Castro Alves, em Salvador, nesta segunda-feira (5), Jerônimo se justificou: “Quem me conhece sabe que sou uma pessoa religiosa, de família, e que nunca vou tratar qualquer opositor com um tratamento deste. Foi descontextualizada. Eu apresentei anteriormente a minha inconformação e indignação como o país estava sendo tratado”.
Em nota enviada posteriormente à imprensa, a assessoria do governador acrescentou que Jerônimo reconhece o excesso no uso das palavras e se retratou com os eleitores: “Eu peço desculpas, se o termo 'vala' e o termo 'trator' foi pejorativo. Não foi a minha intenção, e não tenho problema algum de reconhecer, com toda a humildade, quando há excessos na palavra, mesmo movida pela indignação”.
Na ocasião, Jerônimo criticava a postura do ex-presidente durante a pandemia de Covid-19, ao lembrar momentos em que Bolsonaro zombou de vítimas da doença. “Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele e quem votou nele podia pagar também a conta. Fazia no pacote. Bota uma 'enchedeira'... bota e leva tudo para a vala”, disse no discurso.
A declaração provocou reações imediatas da oposição. Jair Bolsonaro comentou nas redes sociais que as palavras do governador são “carregadas de ódio” e deveriam ser repudiadas por instituições democráticas. O deputado estadual Diego Castro (PL) protocolou denúncia contra Jerônimo no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que o discurso ultrapassa os limites do debate político. Já o deputado Leandro de Jesus (PL) apresentou pedido de impeachment na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), além de acionar o Ministério Público e encaminhar denúncia à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O ex-prefeito de Salvador e principal adversário político do PT no estado, ACM Neto (União Brasil), também criticou o governador, chamando a fala de “ofensa” a parte do eleitorado baiano e cobrando uma retratação mais clara. Segundo ele, “a Bahia hoje tem um governador que defende tratar bandidos com amor e carinho, e ao mesmo tempo colocar adversários políticos numa vala”.



