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Macaco-prego de Marcell Moraes morre após invadir casas em condomínio de Salvador

há 20 horas
4 min de leitura

O macaco-prego Alcebíades, que invadiu residências do condomínio Alphaville 2, em Salvador, e feriu moradores na segunda-feira (5), morreu horas depois de ser capturado e encaminhado para atendimento veterinário. A morte foi confirmada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), responsável por acompanhar o caso.


O animal pertencia ao ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB), que publicou nas redes sociais uma manifestação em que levanta a suspeita de envenenamento e cobra uma investigação sobre as circunstâncias da morte. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que o macaco tenha sido intoxicado.


Em nota, o Inema informou que Alcebíades chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) desacordado, com redução do nível de consciência e resposta diminuída a estímulos. Durante o exame clínico, foram identificadas lesões traumáticas na região da face, associadas a um quadro de hipertermia acentuada e aumento da frequência cardíaca.


Segundo o órgão ambiental, a possibilidade de exposição a alguma substância tóxica foi considerada entre as hipóteses clínicas. Entretanto, os sinais observados são inespecíficos e não permitem, isoladamente, confirmar uma intoxicação ou identificar eventual agente causador.


O macaco recebeu atendimento veterinário e permaneceu sob monitoramento, mas morreu às 18h42 da segunda-feira. O corpo será submetido a exame necroscópico para esclarecer as causas do óbito.


Marcell Moraes cobra investigação


Após a confirmação da morte, Marcell Moraes afirmou que pretende buscar a responsabilização de eventuais envolvidos, caso sejam identificadas irregularidades. O ex-deputado também questionou as circunstâncias em que o animal foi entregue aos órgãos ambientais e o atendimento recebido após a captura.


Em publicação nas redes sociais, ele declarou que o macaco estava saudável antes de ser levado pela polícia e exigiu a realização de uma perícia séria e independente. Marcell também afirmou que pretende recorrer à Justiça para responsabilizar pessoas ou instituições, caso as provas indiquem responsabilidade.


As declarações representam a versão e as suspeitas apresentadas pelo tutor. A causa da morte ainda depende de esclarecimento técnico, e não há confirmação de que tenha ocorrido envenenamento ou negligência no atendimento.


O Inema informou que vai apurar as circunstâncias relacionadas aos cuidados com o animal silvestre, incluindo a possibilidade de negligência por parte do tutor.


Captura durou cerca de três horas e meia


Alcebíades foi capturado por uma equipe da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), da Polícia Militar da Bahia, após entrar em residências do condomínio Alphaville 2, em Salvador. A operação durou aproximadamente três horas e meia e exigiu o uso de equipamentos específicos para conter o animal.


Durante as ocorrências, o macaco invadiu imóveis, quebrou um box de vidro e entrou em um quarto onde estava um bebê de cinco dias de vida. Também houve relatos de pessoas feridas durante os episódios.


Moradores afirmaram que o comportamento de invasão das casas já havia ocorrido anteriormente. Diante da situação, a polícia ambiental foi acionada para realizar a captura e encaminhar o animal para avaliação especializada.


Na ocasião, a corporação informou que a contenção foi realizada com cuidados para preservar a integridade física do macaco e garantir a segurança dos policiais e dos moradores.


Após o resgate, Alcebíades foi levado ao Cetas, onde chegou em estado debilitado, conforme as informações posteriormente divulgadas pelo Inema.


Relatos sobre possível ingestão de substâncias


Entre as informações relacionadas ao episódio estão relatos de que o macaco teria ingerido bebida alcoólica, álcool 70% e medicamentos. Uma moradora também relatou que as invasões seriam recorrentes.


O Inema, entretanto, ressaltou que ainda não foi possível determinar se o animal efetivamente ingeriu essas substâncias. A eventual exposição a agentes tóxicos permanece entre as hipóteses consideradas, mas não foi confirmada.


O exame necroscópico deverá contribuir para esclarecer a causa da morte e fornecer elementos para a análise das circunstâncias do caso.


Animal aparecia nas redes sociais do ex-deputado


Alcebíades aparecia com frequência nas redes sociais de Marcell Moraes, conhecido por sua atuação pública relacionada à causa animal. O macaco também possuía um perfil próprio em uma rede social, que, segundo as informações divulgadas, reunia mais de 10 mil seguidores e foi desativado.


No domingo (4), um dia antes do episódio no condomínio, Marcell publicou uma fotografia em que aparecia com o braço machucado. Na ocasião, afirmou que havia sido mordido pelo animal enquanto se preparava para sair de casa para votar. Segundo o relato, o ferimento também teria afetado o movimento de dois dedos.


O caso ocorre em meio ao debate sobre a manutenção de animais silvestres sob cuidados particulares, as condições de manejo e a responsabilidade dos tutores. A situação específica de Alcebíades e a eventual existência de irregularidades deverão ser avaliadas pelos órgãos competentes, sem antecipar conclusões antes do resultado das apurações.


Histórico político de Marcell Moraes


Marcell Moraes foi deputado estadual na Bahia, mas teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2020. Na mesma decisão, a Corte determinou sua inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2018, por abuso de poder econômico e propaganda eleitoral antecipada relacionados à oferta de serviços veterinários gratuitos em diferentes municípios.


Em 2026, ele disputou uma vaga de deputado federal pela Bahia, mas não foi eleito.


A morte de Alcebíades passa agora a ser investigada pelos órgãos responsáveis, que deverão esclarecer as condições clínicas do animal, a causa do óbito e eventuais responsabilidades relacionadas ao caso.

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