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Mensagens da PF mostram tentativa de aproximação entre Vorcaro e Otto Alencar; senador admite contatos por telefone

há 11 minutos
3 min de leitura

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o banqueiro se referia ao senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. Os registros também apontam diversas tentativas de aproximação entre os dois, com intermediação do advogado baiano Ciro Soares.


Segundo o relatório da PF, Ciro Soares aparecia como uma espécie de ponte entre Vorcaro e Otto. O advogado informava ao banqueiro quando estava na companhia do senador, enviava fotografias dos dois e fazia ligações para transmitir mensagens atribuídas ao parlamentar.


Em uma das conversas, registrada em 30 de maio de 2024, Soares escreveu a Vorcaro que “Otto queria falar com vc”. Após uma tentativa de ligação, o banqueiro respondeu pedindo que mandasse um abraço ao senador e afirmou:


“Esse aí é conselheiro e comandante nosso.”


Mensagens mostram novas tentativas de contato


Os registros analisados pela PF apontam que as tentativas de aproximação continuaram nos meses seguintes.


Em 5 de dezembro de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro que precisava conversar com ele sobre uma movimentação de Otto:


“Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj.”


Já em 12 de novembro de 2025, Soares informou que estava com o senador e que Otto havia perguntado pelo banqueiro.


“Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc.”


Vorcaro respondeu que estavam “construindo virada de mesa” e que precisaria do apoio de pessoas próximas.


As mensagens também registram tentativas de organizar conversas presenciais entre os dois em Salvador e Brasília, além de convites relacionados a eventos em Londres.


Otto admite contatos telefônicos


Após a divulgação das mensagens, Otto Alencar apresentou uma versão diferente da negativa inicial sobre qualquer contato com Vorcaro.


Em declaração ao BNews, o senador admitiu ter conversado por telefone com o banqueiro duas ou três vezes, por intermédio de Ciro Soares. Segundo Otto, os contatos ocorreram porque Vorcaro buscava apoio para a chamada “Emenda Master”, proposta que pretendia ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


Otto afirmou, entretanto, que não apoiou a proposta e que informou ao banqueiro que não poderia ajudá-lo nesse sentido.


A chamada “Emenda Master” estava relacionada a uma proposta de alteração legislativa apresentada em 2024 e que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do FGC por depositante. A medida não avançou no Congresso.


Relação com Ciro Soares


Ciro Soares, que atuava como advogado de Vorcaro e também possui atuação política na Bahia, aparece em diferentes registros como intermediário de contatos do banqueiro com autoridades.


No caso de Otto, o relatório da PF aponta que o advogado mantinha comunicação frequente com o senador e transmitia ao banqueiro informações sobre conversas e encontros.


Soares afirmou que considera natural a existência de contatos entre lideranças políticas e empresariais, mas negou ter organizado encontros presenciais entre Vorcaro e Otto. Ele também não é apontado como investigado no caso Master, segundo as informações divulgadas.


O que dizem os registros


As mensagens apreendidas pela Polícia Federal documentam tentativas de aproximação, telefonemas intermediados por Ciro Soares e referências de Vorcaro a Otto Alencar como “conselheiro” e “comandante”.


Ao mesmo tempo, os registros, por si só, não comprovam que Otto tenha participado de qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master. O senador não é apontado como investigado no caso e afirma que, nos contatos telefônicos que reconheceu, recusou o pedido de apoio feito por Vorcaro.


A defesa de Vorcaro, por sua vez, tem afirmado que o banqueiro está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

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