Mensagens da PF mostram tentativa de aproximação entre Vorcaro e Otto Alencar; senador admite contatos por telefone

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o banqueiro se referia ao senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. Os registros também apontam diversas tentativas de aproximação entre os dois, com intermediação do advogado baiano Ciro Soares.
Segundo o relatório da PF, Ciro Soares aparecia como uma espécie de ponte entre Vorcaro e Otto. O advogado informava ao banqueiro quando estava na companhia do senador, enviava fotografias dos dois e fazia ligações para transmitir mensagens atribuídas ao parlamentar.
Em uma das conversas, registrada em 30 de maio de 2024, Soares escreveu a Vorcaro que “Otto queria falar com vc”. Após uma tentativa de ligação, o banqueiro respondeu pedindo que mandasse um abraço ao senador e afirmou:
“Esse aí é conselheiro e comandante nosso.”
Mensagens mostram novas tentativas de contato
Os registros analisados pela PF apontam que as tentativas de aproximação continuaram nos meses seguintes.
Em 5 de dezembro de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro que precisava conversar com ele sobre uma movimentação de Otto:
“Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj.”
Já em 12 de novembro de 2025, Soares informou que estava com o senador e que Otto havia perguntado pelo banqueiro.
“Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc.”
Vorcaro respondeu que estavam “construindo virada de mesa” e que precisaria do apoio de pessoas próximas.
As mensagens também registram tentativas de organizar conversas presenciais entre os dois em Salvador e Brasília, além de convites relacionados a eventos em Londres.
Otto admite contatos telefônicos
Após a divulgação das mensagens, Otto Alencar apresentou uma versão diferente da negativa inicial sobre qualquer contato com Vorcaro.
Em declaração ao BNews, o senador admitiu ter conversado por telefone com o banqueiro duas ou três vezes, por intermédio de Ciro Soares. Segundo Otto, os contatos ocorreram porque Vorcaro buscava apoio para a chamada “Emenda Master”, proposta que pretendia ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Otto afirmou, entretanto, que não apoiou a proposta e que informou ao banqueiro que não poderia ajudá-lo nesse sentido.
A chamada “Emenda Master” estava relacionada a uma proposta de alteração legislativa apresentada em 2024 e que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do FGC por depositante. A medida não avançou no Congresso.
Relação com Ciro Soares
Ciro Soares, que atuava como advogado de Vorcaro e também possui atuação política na Bahia, aparece em diferentes registros como intermediário de contatos do banqueiro com autoridades.
No caso de Otto, o relatório da PF aponta que o advogado mantinha comunicação frequente com o senador e transmitia ao banqueiro informações sobre conversas e encontros.
Soares afirmou que considera natural a existência de contatos entre lideranças políticas e empresariais, mas negou ter organizado encontros presenciais entre Vorcaro e Otto. Ele também não é apontado como investigado no caso Master, segundo as informações divulgadas.
O que dizem os registros
As mensagens apreendidas pela Polícia Federal documentam tentativas de aproximação, telefonemas intermediados por Ciro Soares e referências de Vorcaro a Otto Alencar como “conselheiro” e “comandante”.
Ao mesmo tempo, os registros, por si só, não comprovam que Otto tenha participado de qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master. O senador não é apontado como investigado no caso e afirma que, nos contatos telefônicos que reconheceu, recusou o pedido de apoio feito por Vorcaro.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, tem afirmado que o banqueiro está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.





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