Secretário de Justiça da Bahia repudia agressão policial durante protesto por morte de adolescente em Salvador
- Da Redação

- 10 de out.
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O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, classificou nesta sexta-feira (10) como “repugnante” as imagens que mostram a atuação de policiais militares durante um protesto realizado na noite de quinta-feira (9), no bairro de São Marcos, em Salvador. O ato pedia justiça pela morte de Caíque dos Santos Reis, de 16 anos, morto no dia 28 de setembro durante uma operação policial na região.
Nos vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver um policial militar dando um tapa no rosto de um manifestante enquanto aparenta estar alterado. As imagens geraram forte repercussão e indignação entre moradores e movimentos sociais.
Para o secretário, o episódio é incompatível com qualquer parâmetro de segurança pública em um Estado democrático de direito. Ele cobrou a apuração rigorosa dos fatos e defendeu que os agentes envolvidos sejam afastados imediatamente das funções até a conclusão das investigações.
“As cenas são repugnantes e precisam de resposta rápida. Nenhum cidadão pode ser retaliado ou reprimido por questionar a atuação policial. É dever do Estado garantir que o direito de manifestação seja respeitado”, afirmou Felipe Freitas.
O secretário também solicitou medidas de proteção aos moradores que participaram da manifestação, temendo possíveis represálias.
A Polícia Militar da Bahia (PMBA) já havia divulgado nota informando que determinou à Corregedoria a instauração imediata de um procedimento administrativo para apurar a conduta do policial flagrado nas imagens. A corporação ressaltou que repudia qualquer desvio de comportamento e que não compactua com excessos ou ações que desrespeitem os direitos humanos.
Esta não é a primeira vez que Felipe Freitas se posiciona de forma crítica em relação à atuação da PM baiana. Dias após a morte de Caíque, o secretário repostou em suas redes sociais uma nota do Conselho Estadual de Proteção dos Direitos Humanos (CEPDH), que classificava o caso como mais um exemplo do “extermínio de adolescentes negros” no estado. A publicação foi apagada horas depois.
A morte de Caíque segue sob investigação. Segundo a Polícia Militar, o jovem estava acompanhado de outro homem e ambos teriam atirado contra os agentes, iniciando um confronto. Os dois foram baleados e levados ao Hospital Roberto Santos, mas não resistiram aos ferimentos.
A versão, no entanto, é contestada por familiares e moradores de São Marcos, que afirmam que o adolescente não estava armado e teria sido atingido sem qualquer resistência. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que deve ouvir novas testemunhas e analisar imagens de câmeras da região.



