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Setembro chega com a temporada de caruru e tradição que atravessa gerações na Bahia



Com a chegada de setembro, a Bahia entra em um dos períodos mais marcantes do seu calendário cultural e religioso. Nas feiras e mercados, ingredientes como quiabo, amendoim, castanha e camarão seco ganham espaço, enquanto o cheiro do azeite de dendê anuncia que é tempo de caruru.


A tradição está ligada às celebrações de São Cosme e São Damião, no catolicismo, e aos Ibejis e Erês nas religiões de matriz africana. Até o dia 27 de setembro, casas, terreiros e quintais se transformam em lugares de encontro, fé e confraternização.


Um dos costumes mais conhecidos é a participação das crianças. Na tradição, elas são as primeiras a se servir do caruru e costumam comer juntas, muitas vezes sentadas no chão e utilizando as próprias mãos. Só depois é a vez dos adultos.


Mas o caruru está longe de ser exclusivo do mês de setembro. O prato faz parte da identidade gastronômica baiana durante todo o ano, aparecendo especialmente nas sextas-feiras e também em dezembro, durante as celebrações de Santa Bárbara e Iansã. É reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia.


Mais do que uma receita, o caruru carrega memórias, ancestralidade e resistência. É uma tradição que reúne diferentes manifestações de fé e transforma a comida em símbolo de partilha, afeto e prosperidade.

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