Sucesso nos cinemas,filme Cara-de-Barro tem a pegada de terror adolescente

“Cara-de-Barro” encontra nos quadrinhos uma oportunidade de explorar o horror corporal sem carregar as obrigações habituais de uma franquia de super-heróis. Com roteiro de Mike Flanagan e direção de James Watkins, dois nomes de destaque do terror atual, a história faz das habilidades do protagonista uma fonte de sofrimento e ameaça. Essa escolha orienta tanto a origem do personagem quanto as sequências de ação, nas quais seus poderes também determinam a maneira de construir o suspense.
Não há dúvidas de que o filme é mesmo excelente e, embora apresente uma história fiel aos quadrinhos, em visuais e roteiro, tem sua originalidade trazida para dentro das telonas . É mesmo um filme de terror e essa é a aposta da DC Studios neste filme. Porém , não se trata de um terror ao qual a maioria do público está acostumado.
Falta personalidade à direção de James Watkins, que fez o remake ianque de 'Não Fale o Mal'. Ele flerta com o body horror, tão bem defendido no excelente 'A Substância', mas se resguarda a uma versão adolescente, inofensiva. As relações entre personagens são rasas, o visual é desinteressante, de cores mornas, e falta um clímax melhor. Outro ponto bem observado e feito propositalmente é que, a história é de um vilão do Batman e em vários momentos do filme , as imagens nos lembra a cidade de Gotham, mas ela praticamente não é mencionada .
Para quem tem maior familiaridade com o subgênero de filmes de terror , fica um gostinho de que o filme coloca o pé na água, mas recua antes de mergulhar. Mesmo tendo cenas mais brutais de cortes na cara e sangue, a produção pareceu um pouco covarde ao mergulhar de cabeça no gênero do terror evitando assim, sustos e muito mais suspense.
Mas no fim, entre efeitos práticos bem executados, escolhas visuais interessantes e uma narrativa que nem sempre consegue acompanhar as próprias ambições, Cara-de-Barro encontra méritos suficientes para justificar sua existência, mostrando assim que ainda há espaços a serem explorados quando o assunto são histórias originais de um vilão , sem necessariamente estarem envolvidos a um universo compartilhado.





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