Ex-diretora de presídio detalha suposto esquema de fuga de presos envolvendo Uldurico Júnior na Bahia
- Da Redação

- 20 de abr.
- 2 min de leitura

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, apontou a participação de pelo menos cinco pessoas em visitas do ex-deputado federal Uldurico Júnior a unidades prisionais, onde teriam ocorrido reuniões com chefes de facções criminosas.
As informações fazem parte de um acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), após mais de um ano de prisão. Segundo o relato, os encontros com internos aconteciam “de portas fechadas” e eram tratados como situações rotineiras dentro da unidade.
Uldurico Júnior é investigado por suposto envolvimento em um esquema que teria facilitado a fuga de 16 detentos do presídio, registrada em dezembro de 2024. De acordo com a delação, teria havido negociação de valores que chegariam a R$ 2 milhões, com um adiantamento de R$ 200 mil, parte entregue em espécie e parte por transferências via PIX.
Entre os nomes citados estão:
Alberto Cley Santos Lima, ex-candidato a vereador em Eunápolis — alvo de mandado
Matheus da Paixão Brandão, ex-assessor parlamentar — alvo de mandado
Jonatas dos Santos, vereador de Teixeira de Freitas — citado
David Loyola, secretário municipal — citado
Clebson Porto, advogado — citado
Alguns dos mencionados afirmaram que estiveram no presídio apenas uma vez e negaram contato com detentos.
Reuniões e negociação
Segundo Joneuma, o ex-deputado teria solicitado reuniões com lideranças de facções dentro do presídio, incluindo detentos apontados como chefes de organização criminosa. Ela afirma que se sentiu pressionada a permitir os encontros.
A delação detalha ainda uma suposta negociação para viabilizar a fuga, que teria sido acordada durante encontros realizados fora do presídio, inclusive dentro de um veículo, com participação de intermediários.
Entrega de dinheiro
De acordo com o relato, o pagamento inicial teria sido entregue em uma caixa de sapato, posteriormente repassado a familiares do ex-deputado. Também são mencionadas transferências bancárias como parte do adiantamento.
Mudanças no plano
A versão apresentada aponta que o plano inicial previa a fuga de dois detentos, mas acabou resultando na evasão de 16 presos. A antecipação da fuga teria ocorrido por decisão de um dos líderes criminosos, diante de risco de fiscalização na unidade.
Defesa nega acusações
A defesa de Uldurico Júnior negou todas as acusações, afirmando que as declarações são falsas e que o ex-deputado não teve qualquer participação em plano de fuga ou recebimento de valores.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, citado indiretamente na delação, também negou envolvimento e afirmou não ter relação com os fatos mencionados.
Investigações seguem
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público, e as investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos, identificar responsabilidades e apurar todos os detalhes do caso.




_edited.jpg)