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Paciente de Jequié aguarda há mais de um mês por vaga em hematologia em Salvador

há 42 minutos
3 min de leitura


Natural de Jequié, a costureira Sonia Pereira Silva, de 52 anos, está há mais de um mês internada em Salvador à espera de uma vaga em um hospital com atendimento especializado em hematologia. Ela chegou à capital no dia 26 de agosto, após apresentar manchas escuras pelo corpo e episódios de sangramento. Segundo a família, exames realizados anteriormente apontaram uma baixa quantidade de plaquetas no sangue.


Atualmente, Sonia está internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris, em Salvador, enquanto aguarda uma transferência por meio da Central de Regulação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).


A sobrinha da paciente, Débora Silva, relata que os primeiros dias foram especialmente difíceis. Segundo ela, Sonia chegou a permanecer três dias em um corredor, sentada em cadeiras, antes de conseguir um leito na unidade.


“A gente ficou três dias num corredor, sentadas nas cadeiras e ela debilitada, porque perde sangue, o sangue dela não circula. E aí toma bolsa, mas não adianta. É horrível. Aí ela conseguiu ir para um leito lá da UPA, mas não adianta, porque só fica ali na espera”, relatou.


A UPA dos Barris é uma unidade de média complexidade voltada para atendimentos de urgência e emergência e, segundo a reportagem, não dispõe de estrutura para oferecer o acompanhamento especializado em hematologia necessário ao caso.


Família teme agravamento do quadro


A demora na transferência também tem afetado o estado emocional da paciente. De acordo com Débora, Sonia demonstra preocupação diante do longo período de espera e do quadro de saúde.


“Ela fala ‘eu vejo a hora de sair daqui já para ser enterrada’. E aí o psicológico da pessoa, infelizmente, também vai ficando cada vez mais abalado e debilitado”, contou a sobrinha.


Ainda segundo Débora, um paciente que estava próximo ao leito de Sonia morreu enquanto também aguardava regulação, situação que aumentou o temor da família.


A pesquisadora e professora da Universidade Católica de Salvador Joana Azevêdo Lima explicou que a fila de regulação deve considerar não apenas a ordem de solicitação, mas critérios como gravidade, risco de agravamento, vulnerabilidade e necessidade de atendimento naquele momento.


Ela também destacou que a situação clínica de um paciente pode mudar durante a espera, fazendo com que a prioridade precise ser reavaliada.


Outro caso envolve espera por tomografia


A reportagem também relata a situação de Ivonilde Santos Xavier, de 58 anos, internada na UPA Santo Antônio, no Bonfim, desde setembro. Ela aguarda uma tomografia computadorizada de abdômen e tórax para investigar uma suspeita de carcinomatose peritoneal.


Segundo o sobrinho, Cleison Costa, exames anteriores identificaram diversos nódulos e levantaram a possibilidade de câncer. A paciente também possui histórico de diabetes e hipertensão.


A família afirma que tem buscado alternativas para acelerar o acesso ao exame e divulgado o caso entre conhecidos na tentativa de conseguir a realização do procedimento.


Auditoria do TCE-BA apontou problemas na regulação


A demora enfrentada pelos pacientes ocorre em um contexto de dificuldades já identificadas na regulação da saúde pública da Bahia.


Conforme reportagem do CORREIO publicada em dezembro de 2025, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) apontou aumento nos tempos de espera para diferentes procedimentos e consultas especializadas entre 2019 e 2024.


Segundo o levantamento citado pela reportagem, a hematologia e a oncologia estavam entre as áreas com filas consideradas críticas. A espera média para consultas com hematologistas chegou a ficar entre sete e oito dias, enquanto na oncologia variou entre seis e sete dias no período analisado.


A auditoria também identificou problemas relacionados à estrutura das centrais de regulação, incluindo a presença predominante de servidores terceirizados, déficit de médicos e profissionais especializados e a concentração da regulação estadual.


A reportagem informa que a Sesab foi procurada, mas não havia apresentado resposta até a publicação do material.


Para Joana Azevêdo Lima, a regulação precisa ser entendida como parte da organização da rede pública de saúde, e não apenas como uma ferramenta de gerenciamento de filas. Segundo ela, é necessário identificar os pontos em que a rede não consegue responder adequadamente às necessidades dos pacientes e atuar sobre essas deficiências.

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