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PF investiga Léia e Quinho por compra de votos e lavagem de dinheiro em Vitória da Conquista

A Polícia Federal investiga o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Quinho (PSD), e sua esposa, a vereadora de Vitória da Conquista, Léia Meira (PSD), pelos supostos crimes de compra de votos e lavagem de dinheiro durante a eleição de 2024. A investigação apura o uso de R$ 1 milhão em um esquema que teria envolvido o pagamento de eleitores e o desvio de recursos do financiamento eleitoral.


De acordo com o inquérito iniciado em outubro de 2023, eleitores teriam recebido entre R$ 100 e R$ 150 para votar em Léia Meira. O crime teria ocorrido até mesmo dentro do comitê de campanha da candidata, que foi eleita com 4.272 votos, sendo a segunda mais votada da cidade.


Além disso, motoristas de aplicativo teriam sido pagos com R$ 400 para adesivar seus veículos com propagandas da campanha. A PF também investiga a transferência irregular de mais de dois mil eleitores de Belo Campo para Vitória da Conquista – Quinho era prefeito de Belo Campo na época, e Léia, primeira-dama do município.


Uso de candidaturas laranja


O inquérito aponta que ao menos seis candidaturas suspeitas podem ter sido utilizadas para movimentar dinheiro do fundo partidário do PSD, por meio das cotas destinadas a mulheres. Cinco dessas candidatas receberam valores públicos, mas obtiveram uma votação muito abaixo da média. Confira os repasses investigados:


  • Gerlane Dias: R$ 85 mil (101 votos)

  • Professora Sandra: R$ 85 mil (90 votos)

  • Wilma Dias: R$ 80 mil (25 votos)

  • Polly do Ibirapuera: R$ 80 mil (51 votos)

  • Dora Lanches: R$ 50 mil (121 votos)

  • Márcia Novais: Não recebeu recursos do fundo partidário (76 votos)


Esses valores somam R$ 460 mil, incluindo os R$ 80 mil recebidos oficialmente por Léia. A investigação indica que esses recursos podem ter sido desviados para beneficiar diretamente sua campanha.

Suposto áudio no WhatsApp detalha como seria pagamento para motoristas por app | Foto: PF
Suposto áudio no WhatsApp detalha como seria pagamento para motoristas por app | Foto: PF

A PF teve acesso a mensagens em grupos de WhatsApp, onde suspeitos falavam sobre a compra de votos e plotagem de veículos em troca de dinheiro. Em alguns casos, os pagamentos eram fracionados para garantir a participação dos eleitores em carreatas.


Uma testemunha relatou que um homem identificado como Dai, genro de Paulino, teria sido responsável pela captação de votos no distrito de Inhobim. Como pagamento, ele teria recebido um veículo, com a promessa de que, caso Léia fosse eleita, o carro seria entregue definitivamente a ele.

Uma das reuniões nas quais, supostamente, havia compra de votos | Foto: PF
Uma das reuniões nas quais, supostamente, havia compra de votos | Foto: PF

Quinho recorre ao TRE-BA


Quinho e Léia tentaram obter foro especial para que o caso fosse julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), e não pela 39ª Zona Eleitoral de Vitória da Conquista, onde tramita atualmente. No entanto, o pedido foi negado pelo juiz Rodrigo de Souza Britto em decisão de 11 de março.


O ex-prefeito de Belo Campo está no fim do mandato como presidente da UPB e deve ser substituído por Wilson Cardoso (PSB), prefeito de Andaraí.


A defesa de Quinho ainda não se manifestou sobre as acusações. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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