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Quatro advogados têm prisão preventiva decretada após operação que investiga ligação com facções criminosas na Bahia


Quatro advogados presos durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia e forças de segurança para investigar a atuação de facções criminosas no sistema prisional, tiveram as prisões convertidas em preventivas após audiências de custódia realizadas neste domingo (5).


Segundo informações divulgadas, as audiências dos advogados Izabela da Silva de Oliveira, Luã Santos da Costa, Maria Mariana Batista de Oliveira, Ícaro Cardoso Viana e Tamires Felix Alves Silva ocorreram em Salvador. Com a decisão judicial, os investigados deixaram as unidades policiais onde estavam custodiados e foram encaminhados ao sistema prisional.


A operação investiga um suposto esquema envolvendo integrantes de organizações criminosas com atuação no tráfico de drogas, circulação de armas de fogo, lavagem de dinheiro e articulação entre criminosos presos e pessoas em liberdade.


Ao todo, a ação cumpriu mandados contra advogados e detentos já custodiados, além de ordens de busca e apreensão em municípios como Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha, Barreiras e outras cidades baianas.


De acordo com as investigações, os advogados seriam suspeitos de utilizar a comunicação durante atendimentos jurídicos para transmitir orientações entre lideranças criminosas presas e integrantes das organizações fora das unidades prisionais.


Investigação aponta troca de informações dentro de presídio


O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens e áudios obtidos durante a investigação. Segundo o Ministério Público da Bahia, registros feitos em parlatórios de unidades prisionais apontariam momentos em que presos teriam repassado informações relacionadas à movimentação financeira do tráfico, aquisição de armas e outros crimes.


Ainda conforme as investigações, alguns bilhetes com informações das organizações criminosas teriam sido transportados pelos advogados durante as visitas, numa tentativa de burlar a fiscalização do sistema prisional.


O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Luiz Ferreira de Freitas Neto, afirmou que a investigação trata de pessoas que, segundo ele, teriam utilizado prerrogativas profissionais para auxiliar atividades criminosas.


Defesas contestam acusações


As defesas dos advogados investigados afirmaram que aguardam o acesso completo aos autos e reforçaram que os acusados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.


Em nota, a defesa de alguns dos investigados afirmou que a apuração deve seguir respeitando o devido processo legal e que eventuais responsabilidades deverão ser analisadas pela Justiça.


Já a defesa de outros alvos questionou a utilização de determinadas provas e afirmou que adotará medidas judiciais para contestar as prisões.


A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB-BA) informou que acompanhou o cumprimento dos mandados por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas e que solicitou acesso ao inquérito para análise das medidas cabíveis.


A entidade afirmou ainda que o caso poderá ser encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina da instituição, inclusive para avaliação de possíveis medidas preventivas.


As investigações continuam para apurar a participação dos envolvidos e identificar outros possíveis integrantes do esquema.

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